Antes
de mergulharmos nos detalhes sobre as operações da CIA e seus grupos
especializados, é importante diferenciar dois conceitos centrais no mundo das operações: operações secretas e operações clandestinas. Enquanto as
operações secretas buscam ocultar os detalhes sobre como e por quem
foram conduzidas, as operações clandestinas visam esconder completamente
sua existência, negando qualquer envolvimento oficial. Essa distinção será
crucial para entender o funcionamento das operações do Special Operations Group
(SOG) e do Political Action Group (PAG), abordados neste texto.
A
Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) é amplamente
reconhecida por suas operações clandestinas em todo o mundo. Dentro dessa
agência, o Special Activities Center (SAC) coordena as missões secretas mais
delicadas, dividindo suas atividades entre duas unidades principais: o Special
Operations Group (SOG) - Grupo de
Operações Especiais - e o Political Action Group (PAG) - Grupo de Ações Políticas.
Ambos
desempenham papéis distintos, com o SOG focado em operações paramilitares e o
PAG concentrado na manipulação política e psicológica. Neste texto, vamos
explorar essas diferenças, trazendo exemplos reais para ilustrar o trabalho de
cada grupo.
O Special Operations Group
(SOG) é a unidade responsável pelas operações paramilitares clandestinas da
CIA. Seus membros são treinados em táticas militares avançadas e são frequentemente
enviados para missões de alto risco, que exigem ações discretas e altamente
coordenadas.
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Equipe
paramilitar da CIA durante uma missão antes de entrar no Afeganistão no final
de Setembro de 2001. Fonte: CIA.
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Um dos cargos mais
importantes da CIA é o oficial de Operações Paramilitares (PMO), este oficial é
responsável por comandar e controlar as operações clandestinas Secretas da
Agência, muitas dessas operações são consideradas como Black Ops (Operações
Negras - no vocabulário das operações especiais são operações Clandestinas,
altamente secretas, que não pode conter nenhum vestígio da organização que a
realizou).
Embora essa área represente uma pequena parte do o papel da
Inteligência Americana, as missões executadas por esse setor causam
consequências Globais, e se encaixam com a "nova era da Guerra": 'As regras
dos confrontos mudaram as táticas são invisíveis, porém, as consequenciais são
globais'. Frase adaptada de uma obra de Benjamin Cavell, se trata da série da Paramount+ e da Globoplay, Seal
Team.
Os oficiais de operações
Paramilitares possuem inúmeras experiências de combate e nas operações
especiais, em sua grande maioria são ex-operadores de elite, das unidades de
nível 2 e nível 1, unidades consideradas a ponta da Lança dos Estados Unidos na
Guerra Irregular, não convencional. Com habilidades para a coleta de
inteligência Humana e recrutamento de colabores e recursos, normalmente operam
em lugares remotos, infiltrados em terrenos hostis, especializados em ações
diretas e indiretas que incluem ataques, sabotagens, guerrilha e contra guerrilhas, ações de contrainteligência, contra terrorismo e missões de
busca e resgate de reféns, além de operações de espionagem através de recursos
humanos, basicamente atuar em ambientes extremamente contestados, perigosos,
que a presença oficial e pública dos Estados Unidos acarretaria consequência
nas relações exteriores e diversas crises políticas para os Norte-americanos.
Este setor também é conhecido como o Serviço Clandestino Nacional. Este é um
dos menores quadros da Agência, o diretor de operações é o responsável por
coordenar e avaliar as missões clandestinas da CIA, lidando com a inteligência
adquirida por fontes humanas.
O oficial de operações
Paramilitares lidera e gerência os programas de ações secretas sob a
autorização do Presidente dos Estados Unidos, que inclui coletar informações
estrangeiras vitais para os formuladores de políticas de segurança Nacional.
Outro setor que esses
operadores altamente especializados podem servir é no centro de atividades
especiais da CIA, sendo este o principal braço de ação para operações ultra secretas/clandestinas,
outra área que os PMOS podem servir é na Equipe Global de Respostas (GRS),
também composta por ex-operadores das forças de operações especiais dos Estados
Unidos, até mesmo por militares que serviam em equipes da SWAT.
A missão da Equipe Global de Respostas
(GRS) é proteger espiões, informantes americanos, bases de drones que
coletam informações no terreno e transportam dados de inteligência pelo terreno e
proteger recursos de inteligência em zonas de combate. Atualmente este grupo é
fundamental para a espionagem moderna e convencional, pois fornecem proteção
aos infiltrados e aos agentes de casos que se encontram operando em campo em um
local hostil com alto grau de risco para segurança.
Os operadores desta
unidade passam pelo programa de treinamento de Serviço Clandestino, ou CST. O treinamento de Serviço Clandestino da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos possui a duração de 18 meses, este programa é realizado na FARM (Na Farmácia) em Camp
Peary, Virginia.
A divisão de atividades
especiais da CIA em 2016 foi renomeada para Centro de atividades especiais ou
SAC (anteriormente chamada de SAD), por mais que seja um mistério, tamanho grau de
sigilo desse segmento da CIA, suponha-se que ela tenha sido fundada em 1957, os
operadores desta unidade realizam apenas operações altamente encobertas e
secretas, este divisão é constituída por dois grupos o SOG (O braço paramilitar
da unidade) e o PAG (O grupo de ações políticas), ambos os grupos realizam
ações geopolíticas secretas, operam sem uniforme de identificação dos EUA ou
qualquer elemento que possa reconhecê-los, suas operações e atividades dependem
do sigilo e da cobertura para o sucesso, mas além do sucesso, a diferença entre
a vida e a morte de operadores deste nível resume na sua capacidade de se
manter encoberta e no sigilo.
A organização, o SAC
(antigo SAD), mencionado anteriormente possui o SOG para operações militares e
ela é utilizada quando o Governo Americano deseja não deixar nenhum vestígio de
suas operações e quando deseja negar o envolvimento americano na operação, se
capturados, os militares do SOG, estarão sozinhos e o governo americano irá
negar sua presença. A maioria das estrelas que vemos no Memorial Wall da CIA em
Nova York pertence a esses agentes, esse memorial é destinado a pessoas que
perderam suas vidas enquanto estavam ativos em um trabalho da CIA.
O PAG é responsável por
operações Clandestinas envolvendo influência política, operações psicológicas e
conflitos econômicos.
Durante a Guerra do
Vietnã, o PAG esteve envolvido em operações de desinformação destinadas a
desmoralizar as forças vietcongues e o governo do Vietnã do Norte. Isso incluiu
a criação e disseminação de rumores falsos e a manipulação da mídia para
influenciar a opinião pública sobre o conflito.
Além do Special Operations
Group (SOG) da CIA, um exemplo notável de operações clandestinas foi o Military
Assistance Command, Studies and Observations Group (MAC-SOG), que atuou durante
a Guerra do Vietnã. O MAC-SOG conduziu uma série de missões de reconhecimento e
operações de sabotagem em território inimigo, muitas vezes trabalhando em
estreita colaboração com a CIA. Essas missões não apenas expandiram as
capacidades de coleta de inteligência dos EUA, mas também moldaram as táticas
de operações especiais que continuariam a ser empregadas em conflitos futuros.
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https://greydynamics.com/macv-sog-secret-operations-in-vietnam - História Militar
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https://greydynamics.com/macv-sog-secret-operations-in-vietnam/ - História militar
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Outro exemplo clássico da
atuação do PAG foi à interferência da CIA nas eleições italianas de 1948. Com o
objetivo de impedir a vitória do Partido Comunista Italiano, que possuía fortes
laços com a União Soviética, o PAG desempenhou um papel crucial ao financiar
campanhas pró ocidentais, apoiar a logística de partidos aliados e conduzir uma
série de operações de desinformação. Essas ações ajudaram a garantir a vitória
dos partidos alinhados ao Ocidente.
Special Operations Group e
Political Action Group são constituídos pelos seguintes grupos:
Ground
Branch - Responsáveis por todas as operações secretas
realizadas no terreno, considerados especializados em vigilância, resgate de
armas, de reféns e em combate em ambientes confinados (CQBs).
Maritime
Branch - Responsável por missões especializadas dentro e fora
da água, acredita-se que essa unidade recrute membros SEAL e mergulhadores de
combate, principais missões embarca secretamente em navios, mergulho de
demolição subaquática e outras habilidades em embarcações.
Air Branch - Responsável pelas
atividades de aviações, os melhores pilotos das forças.
Armor and Special Programs
Branch - Diferente das outras, os operadores desta unidade são responsáveis por
testar o desenvolvimento, coletar e transportar de maneira secreta os
armamentos do arsenal pessoal dos operadores que estarão na ativa. Para uma
operação Clandestina, altamente secreta, o equipamento, armamento, veículos
devem ser obtidos de fontes clandestinas e anônimas no exterior, é nesse
momento que esse grupo é inserido nas operações, pois os equipamentos não podem
ter nenhuma conexão com o governo, departamentos e empresas Norte Americanas,
para o caso de um agente/operador ser capturado, não ser encontrado com
materiais e equipamentos americanos.
O grupo de ações políticas
dentro do SAC conduz as operações psicológicas negada, conhecidas também como
propaganda negra que incluem influência secreta para acarretar mudanças
políticas em outros países como parte da política externa dos Estados Unidos,
intervenção encoberta em eleições estrangeiras é a forma mais significativa da
SAD nas ações políticas, o que envolve apoio financeiro a candidatos
favorecidos, financiamento de grupos opositores e movimentos sociais,
orientações midiáticas, apoio técnicos para relações públicas, apoio jurídico,
campanhas publicitárias e outros meios de ações diretas para subverter a
sociedade através do uso secreto de propaganda que inclui folhetos, jornais,
revistas, livros, rádio, televisão e mídias sociais e digitais.
A existência do SAC
tornou-se mais conhecida durante o início da Operação Liberdade duradoura em
2001, quando o SOG começou a caçar os lideres da Al-Qaeda, o SAC foi um dos
primeiros a colocar agentes no terreno Afegão abrindo caminho e estabelecendo
contatos para posteriormente as unidades das forças especiais. Frequentemente
são os primeiro a serem implantados no terreno com o objetivo de coletar
informações cruciais e preparar a implantação segura para as outras unidades e
equipes Americanas.
O SAC e as suas unidades
do SOG também foram infiltrados antes da invasão americana ao Iraque em 2003
para treinar, equipar, organizar e liderar as forças curdas para derrotar o
exército Iraquiano no Norte do Iraque.
Uma das missões
proeminente dos SAC são o recrutamento, treinamento e liderança de forças
indígenas em operações de combate, o SAD e o SOG e seus sucessores foram usados
quando era considerado desejável ter uma negação plausível sobre o apoio dos
EUA, ao contrário de outras unidades de missões especiais, os agentes do SAC
combinam operações especiais e capacidades de inteligências clandestinas em um indivíduo, esses indivíduos podem operar em qualquer ambiente aéreo ou
terrestre, com apoio limitado ou nenhum apoio, estimasse que essa unidade tenha
menos de 150 pessoas em seu quadro, o que se justifica, pois, pode ser uma das
unidades mais secretas e exigentes com as operações mais clandestinas e
secretas, talvez do Mundo.
Escrito por: Gabriel Chagas.
Entusiasta por Geopolítica,
Espionagem, Relações Internacionais e Autor do Blog Mundo em Conflito.
Siga - me no Instagram: https://www.instagram.com/gabriel.schagas
- Referências:
· The CIA's ELITE: The Special Activities
Division
· CIA PARAMILITARY OPERATIONS
OFFICERS - CIA’S ELITE SECRET OPERATIVES – Youtube - General Discharge
· CIA Special Activities Center – YouTube General Discharge
· The
CIA's ELITE: The Special Activities Division – Spy Network
· “The CIA and the Cold War: Operation Gladio and the
European Political Context”, Richard C (. Thurlow)
· "The Vietnam War on the Screen and in the
Media",
David L. Anderson
- Tradução das referências:
A ELITE DA CIA: A Divisão de Atividades Especiais
OFICIAIS DE OPERAÇÕES PARAMILITARES DA CIA - OPERATIVOS SECRETOS ELITE DA CIA – YouTube - General Discharge
Centro de Atividades Especiais da CIA – YouTube General Discharge
A ELITE DA CIA: A Divisão de Atividades Especiais – Spy Network
"A CIA e a Guerra Fria: Operação Gládio e o Contexto Político Europeu", Richard C. Thurlow
"A Guerra do Vietnã na Tela e na Mídia", David L. Anderson
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