Como Nicolás Maduro Sobrevive na Venezuela: Repressão, Crises e as Estratégias por Trás do Poder


A situação da Venezuela desde a ascensão de Nicolás Maduro ao poder em 2013 oferece uma aula crítica sobre as dinâmicas políticas, autoritarismo e manipulação das instituições democráticas. O que começou como a continuidade do regime de Hugo Chávez transformou-se rapidamente em uma batalha implacável contra a oposição, uma crise humanitária devastadora e o isolamento internacional de um governo determinado a se manter no poder, não importando os meios, nem que fosse necessário reprimir brutalmente a população insatisfeita.
A análise a seguir se debruça sobre como Maduro herdou a máquina repressiva montada por seu antecessor, incluindo o controle autoritário sobre todas as instituições do País — o Executivo, Legislativo e Judiciário — e o alicerce da segurança pública sustentado por exércitos paralelos e milícias bolivarianas. Desde que assumiu o cargo após a morte de Chávez, Maduro enfrentou uma avalanche de problemas econômicos, exacerbada pela queda dos preços do petróleo, além de uma crise interna que resultou no maior êxodo da história recente da América Latina, com milhões de venezuelanos em busca de um futuro incerto fora das fronteiras do País.
Nesse cenário de caos, os protestos tornaram-se o reflexo da insatisfação crescente e da repressão violenta, com mais de 270 mortes e a perseguição inclemente aos opositores. O governo, após se reaproximar dos Estados Unidos em 2022 na tentativa de aliviar sanções e salvar a economia, viu-se em 2024 diante de um novo embate eleitoral. Mais uma vez, o engodo eleitoral — em que o regime fez da reeleição de Maduro uma "vitória irreversível" — provocou uma onda de acusações de fraude, amplamente contestada pela comunidade internacional. 
O engodo eleitoral, no contexto da Venezuela, refere-se a um processo onde a suposta "eleição" é uma farsa, uma estratégia do regime para garantir sua permanência no poder, ainda que de forma ilegítima. Em vez de uma votação livre e transparente, o governo de Nicolás Maduro recorre a práticas como o controle das instituições eleitorais, a repressão à oposição e a manipulação de resultados para apresentar uma "vitória irreversível" em favor do regime. Ao fazer isso, o governo não apenas viola os princípios democráticos, mas também constrói uma falsa fachada de legitimidade enquanto o País se afasta cada vez mais de uma democracia real.
No centro disso, prisões políticas, destruição da oposição e um controle rigoroso da verdade distanciaram ainda mais a Venezuela de qualquer perspectiva de democracia genuína, deixando um futuro nebuloso para seu povo.

Venezuela rompe com Paraguai e acusa Argentina de desestabilizar país |  Metrópoles
Nicolás Maduro. Fonte: Metrópole
    
Morre o presidente da Venezuela Hugo Chávez - BBC Brasil - Notícias
Hugo Chávez. Fonte: BBC Brasil
 
 
    A Consolidação do Poder de Maduro: Como a Criação da Assembleia Nacional Constituinte e o Apoio Militar Blindaram o Regime

      Após vencer uma eleição contestada em 2013 contra Henrique Capriles, Maduro enfrentou um ambiente político hostil ao perder a maioria parlamentar em 2015. Para garantir seu controle, ele estabeleceu em 2017 a Assembleia Nacional Constituinte, composta exclusivamente por aliados. Essa medida anulou a influência da Assembleia Nacional oficial do País, dominada pela oposição, e garantiu o controle do Executivo sobre o Legislativo.
 
Presidência da Venezuela, 2013
Gráfico Realizado pela TV Estatal Venezuelana, divulgados pelo O Globo.

   Além disso, Maduro fortaleceu os laços com as Forças Armadas, concedendo-lhes privilégios econômicos e controle sobre setores estratégicos, como a distribuição de alimentos e o comércio ilícito de ouro e gasolina. Esse modelo não apenas garantiu a lealdade do alto comando militar, mas também serviu para intimidar setores dissidentes dentro das próprias forças de segurança.

        Momentos de Instabilidade e Tentativas de Derrubada do Regime Maduro

Apesar de sua aparente solidez, o governo de Nicolás Maduro enfrentou diversos momentos críticos que quase resultaram em sua queda, neste contexto podemos citar os protestos de 2014 e 2017 que foram motivados pela insatisfação popular contra a crise econômica e a repressão do regime Bolivariano do ditador Nicolás Maduro.

Mais um dia de manifestações e tensão na Venezuela
 A polícia venezuelana usou jatos de água para dispersar os manifestantes na sexta-feira, 14 de fevereiro 2014, em Caracas. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins
       
      Os protestos de 2014 e 2017, motivados pela deterioração econômica, a hiperinflação e a repressão política, levaram milhões às ruas. O regime respondeu com violência extrema, usando a Guarda Nacional, forças de segurança e grupos paramilitares para reprimir os manifestantes. Relatórios da ONU estimam que, durante esses períodos, centenas de pessoas foram mortas e milhares foram presas arbitrariamente.
 
Opposition activists block the Francisco Fajardo main motorway in eastern Caracas on May 20, 2017 to protest against President Nicolas Maduro. Venezuelan protesters and supporters of embattled President Nicolas Maduro take to the streets Saturday as a deadly political crisis plays out in a divided country on the verge of paralysis. / AFP PHOTO / FEDERICO PARRA ORG XMIT: FPZ2899
Milhares de pessoas fecharam a principal rodovia em Caracas na segunda-feira para expressar sua raiva com o governo do presidente Nicolás Maduro. NBC News
 
 Em 2019, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, foi reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela. Em abril daquele ano, ele liderou uma tentativa de golpe ao tentar mobilizar as Forças Armadas contra Maduro. Apesar de obter apoio inicial de alguns oficiais, o movimento falhou devido à fidelidade do alto comando militar ao regime, motivada por interesses econômicos e ameaças de represálias.
 
Juan Guaidó durante ato em Caracas no qual se proclamou presidente interino da Venezuela Foto: FEDERICO PARRA / AFP
Juan Guaidó durante ato em Caracas no qual se proclamou presidente interino da Venezuela Foto: FEDERICO PARRA / AFP
 

Operação Gideon (2020): A Incursão Mal-Sucedida Contra Maduro

A Operação Gideon, como ficou conhecida, foi um fracasso estrondoso que repercutiu no cenário internacional e venezuelano. Planejada como uma tentativa de golpe para derrubar o regime de Nicolás Maduro, a operação envolvia um grupo de mercenários e ex-militares liderados pelo ex-comandante das forças especiais dos EUA, Jordan Goudreau. A ação foi um produto de uma série de decisões erradas, promessas quebradas e uma rede de apoiadores falhos.
 
Jordan Goudreau
Print de um vídeo promocional da Silvercorp mostrando Jordan Goudreau — Foto: SILVERCORP
 
A operação teve como origem um conflito intenso e cada vez mais agravado pela disputa interna na Venezuela, com o líder da oposição, Juan Guaidó, contestando a legitimidade do governo Maduro, a quem ele acusava de corrupção e autoritarismo. Guaidó buscou apoio internacional, e logo as conspirações começaram a ganhar vida, com o respaldo tácito de Estados Unidos e outras nações da região.
O objetivo da operação era ostensivamente depor Maduro, tendo como alvo figuras estratégicas do governo e pontos-chave para iniciar uma cadeia de eventos que culminaria na mudança de poder. Embora com uma retórica de liberdade e democracia, o plano foi gravemente mal executado, com diversos recursos não sendo disponibilizados como prometido, o que comprometeu a infraestrutura necessária para dar sequência à missão. Além disso, a falta de apoio material foi um dos fatores centrais para a falência de seus objetivos.
Jordan Goudreau, o principal arquétipo por trás da missão, liderou a Silvercorp USA, uma empresa militar privada, que prometia uma solução rápida. Porém, logo ficou claro que Goudreau e sua equipe subestimaram os desafios logísticos e estratégicos ao lidar com uma tropa composta por militantes amadores. Logo após o lançamento do ataque, a missão se transformou em um fiasco, com os mercenários sendo capturados ou mortos em território venezuelano.
 
Os militares venezuelanos disseram que capturaram mercenários após o golpe fracassado
Militares venezuelanos disseram que capturaram mercenários após o golpe fracassado. Foto: Getty Images
 
Detalhes sobre a infiltração e os planos iniciais destacaram a falta de preparação. A operação começou em 3 de maio de 2020, e envolveu tentativas fracassadas de se infiltrar no país por meio de duas praias no estado de La Guaira. Os conspiradores planejavam um ataque múltiplo para desestabilizar os pontos mais críticos, mas logo foram esmagados pelas forças leais a Maduro. Mais importante, informações obtidas a partir de vídeos e provas de atividades de milicianos indicam que o governo venezuelano foi capaz de descobrir a missão com antecedência, possivelmente devido a vazamentos ou um fracasso na segurança operacional.
 
O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, em entrevista coletiva virtual em Caracas
Nicolás Maduro, apresentando o suposto contrato envolvendo Guaidó e o grupo mercenário em Caracas. Fonte: Reuters
 
Com os mercenários sendo capturados e um êxito virando pesadelo, Maduro usou esse revés como ferramenta para desacreditar a oposição e dar uma imagem de controle absoluto. A operação não apenas expôs a fragilidade das ações externas no contexto da crise política venezuelana, mas também demonstrou como movimentos sem planejamento adequado podem rapidamente desmoronar. Outro fator de grande importância foi a falta de comprometimento de países como os Estados Unidos em continuar qualquer tipo de apoio oficial à missão, levando a um enfraquecimento irreversível do governo interino de Guaidó.
No final das contas, Operação Gideon não foi apenas uma operação frustrada, mas um testemunho das limitações de estratégias feitas à base de hipóteses, subestimando o adversário e a realidade de se mexer em terrenos políticos e militares desconexos. Além disso, evidenciou o declínio das esperanças da oposição e gerou um novo ciclo de desconfiança nas elites internacionais, que temiam por qualquer tipo de instabilidade adicional.
A operação ficou marcada também pelos movimentos punitivos com prisioneiros, aumentando a alegação do governo de que um golpe estava em andamento. Eles usaram os mercenários capturados para propagar uma mensagem de resistência e controle, tanto no País quanto frente à diplomacia internacional.
Em última análise, a Operação Gideon é uma lembrança clara de como a intervenção em terrenos estrangeiros, sem um apoio claro ou estrutura eficaz, resulta em falhas patentes. Mais do que uma tentativa fracassada de derrubar um governo, serviu para destacar os desafios contínuos e complexos que a política internacional enfrenta na tentativa de moldar os destinos de outros países.
 

Imagem
Silver Corp - Exército Militar Privado. Mercenários
 
A Recompensa do Departamento de Estado Americano para Captura de Maduro: Uma Medida Contundente ou Pressão Geopolítica?"

 

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, em 2020, uma recompensa de até 25 milhões de dólares para informações que levassem à captura de Nicolás Maduro e Diosdado Cabello Rondón. A recompensa estava em 15 milhões de dólares, entretanto, com a situação atual na Venezuela, o Departamento de Estado Americano aumento a recompensa para o valor citado acima no dia 10 de Janeiro de 2025.
Diasdado Cabello Rondón é um dos líderes mais influentes do regime venezuelano, ex-tenente do Exército e aliado próximo de Nicolás Maduro. Ele já ocupou cargos estratégicos, como presidente da Assembleia Nacional e da Assembleia Nacional Constituinte. Reconhecido por sua força política no PSUV, é acusado pelos EUA de ligações com o "Cartel dos Sóis" e atividades ilícitas, o que ele nega. Cabello é uma peça central no governo de Nicolás Maduro, controlando áreas políticas, militares e de comunicação no País.

 A recompensa foi vinculada a acusações graves de envolvimento de Maduro e Cabello em uma rede de narcotráfico internacional, vinculado ao Cartel dos Sóis, especialmente relacionada ao tráfico de cocaína. O regime de Maduro, segundo Washington, mantém laços estreitos com organizações criminosas, controlando rotas de narcotráfico que atravessam diversas regiões da América Latina, colocando o País em uma posição central no comércio de drogas ilícitas.

A oferta da recompensa fez parte de um esforço mais amplo do governo dos Estados Unidos para pressionar o regime venezuelano, que já enfrentava sanções econômicas e diplomáticas severas. Washington não apenas tentava isolar Maduro no cenário internacional, como também intensificava sua campanha para apoiar a oposição venezuelana, que disputa o poder com um governo amplamente considerado ilegítimo pela comunidade internacional.

Este anúncio também refletiu o aumento da diplomacia coercitiva de Washington, à medida que buscava minar a estabilidade do regime de Maduro. A atitude de aumentar as pressões externas sobre o governo venezuelano estava em consonância com a postura americana no que tange ao combate ao tráfico de drogas, que sempre teve um papel central na estratégia de segurança interna dos EUA.

No entanto, a medida provocou uma resposta severa de Caracas, que acusou os Estados Unidos de ingerência em seus assuntos internos e reafirmou o compromisso de Maduro com a soberania da Venezuela. Embora a recompensa tenha sido uma das ações mais comentadas, ela apenas compõe um complexo quadro de intervenções diplomáticas e econômicas, o qual foi responsável por marcar as relações bilaterais de forma irreversível. Para o governo de Maduro, a narrativa internacional – e as ações externas contra sua administração – são vistas como parte de uma tentativa de golpe coordenada por Washington, em conluio com aliados regionais.

 

Departamento de Estado dos Estados Unidos
 
Os Grupos Paramilitares no Regime de Maduro: Colectivos Como Extensão Informal do Estado Repressor

        Os colectivos são grupos paramilitares armados que desempenham um papel crucial na repressão e controle social do regime. Esses grupos, inicialmente organizados como milícias populares chavistas, evoluíram para forças de choque que operam com impunidade e sob o amparo estatal. As funções dos Colectivos se define na repressão, intimidação e controle territorial, este grupo paramilitar na prática é utilizado para reprimir protestos, intimidar opositores e controlar bairros populares. Com o objetivo de operarem como uma extensão informal das forças de segurança, muitas vezes em coordenação direta com o SEBIN e o DGCIM, os órgãos de inteligência de Estado do Regime Bolivariano de Nicolás Maduro.
Além disso, controlam atividades econômicas ilícitas, como o tráfico de drogas e o contrabando de bens, o que lhes garante recursos financeiros e influência em comunidades marginalizadas. Grupos como "La Piedrita" e os "Tupamaros" são conhecidos por sua violência e lealdade ao Chavismo.

La Piedrita: “coletivos” criados como movimentos sociais armados ajudam a manter o estado mafioso no poder (Foto/Reprodução VEJA)   

             
Members of the Tupamaros collective
Membros do coletivo Tupamaros. Fonte: Insight Crime
 
O Sistema de Inteligência da Venezuela: A Base do Controle e da Repressão Interna

Maduro consolidou seu poder por meio de um sistema de inteligência eficiente, usado para monitorar, neutralizar e intimidar adversários. Dois órgãos principais desempenham esse papel:
O SEBIN: O Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional é o órgão responsável por espionagem doméstica e repressão política, o Serviço Bolivariano de Inteligência monitora opositores jornalistas e movimentos sociais. A organização é frequentemente acusada de torturas e detenções arbitrárias, especialmente em centros de detenção como o Helicóide.
 
Bandeira da SEBIN
Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional
 
 
SEBIN enforcers fundamental to Maduro's toolkit of repression | Miami Herald
Membro do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional , a SEBIN. Getty Images/Tradução
 
  
A prisão El Helicoide, em Caracas, na Venezuela
A prisão El Helicoide, em Caracas, na Venezuela — Foto: Yuri Cortez / AFP
 
 
DGCIM: A Contrainteligência Militar Venezuelana foca na vigilância e controle das Forças Armadas, prevenindo conspirações internas e deserções. Relatórios internacionais indicam que suas práticas incluem tortura sistemática de militares dissidentes para assegurar lealdade.
 
Seis claves para entender la intimidación del chavismo de cara al 10-E
Contrainteligência Militar Venezuelana, DGCIM. Fonte: Getty Image
 
 
 Colaboração Internacional: Irã, Cuba, Rússia e China
                     
       Cooperação Venezuela - Irã: A colaboração entre o Irã e a Venezuela, estabelecida principalmente nas esferas de segurança e inteligência, reflete os interesses estratégicos de ambos os países, que buscam expandir sua influência regional e desafiar a ordem mundial dominada pelos Estados Unidos. A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), criada após a Revolução Islâmica de 1979, desempenha um papel fundamental não só como uma força militar de elite, mas também como um ator chave em operações clandestinas e apoio a regimes aliados, como o de Nicolás Maduro. A presença da IRGC na Venezuela vai além de uma simples parceria militar, incorporando ações de inteligência e assistência em segurança, com o objetivo de garantir a sobrevivência do regime venezuelano e de estabelecer uma plataforma para a projeção da geopolítica iraniana na América Latina.
Em termos de inteligência, a cooperação entre o Irã e os serviços secretos venezuelanos é clara. Ambos os países compartilham informações e aprimoram suas capacidades de monitoramento, com foco no fortalecimento do controle do regime e na garantia de recursos estratégicos e avanços tecnológicos. A experiência iraniana em operações secretas tem sido essencial para a manutenção da ordem interna na Venezuela, tornando-se um fator central no desafio ao Ocidente e no fortalecimento das ideias antiimperialistas que definem a política externa venezuelana.
Além do apoio estratégico à manutenção do regime de Maduro, o Irã também obtém vantagens significativas com essa colaboração. Primeiramente, a presença do Irã na Venezuela fortalece sua posição em um território chave próximo aos Estados Unidos, criando uma plataforma geopolítica para desafiar a influência norte-americana na América Latina. O Irã ganha ainda acesso a recursos naturais vitais, como petróleo, o que é de grande importância devido às sanções econômicas internacionais que o País enfrenta.
A troca de inteligência também lhe permite uma maior capacitação em cibersegurança e operações clandestinas, elementos que contribuem para sua defesa estratégica em um cenário global de crescente tensão.
Por fim, essa parceria estratégica é mutuamente benéfica. A Venezuela, com sua postura política e econômica isolada, ganha respaldo militar e de inteligência, enquanto o Irã reforça sua presença em um ponto estratégico no continente americano, tornando-se um aliado crítico para sua agenda contra a hegemonia ocidental e suas adversidades econômicas.
 
O presidente venezuelano Nicolas Maduro (esq.) encontra o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante sua visita a Teerã, Irã, em 22 de outubro de 2016 [Supreme Leader Press Office / Anadolu Agency]
O presidente venezuelano Nicolas Maduro (esq.) encontra o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, durante sua visita a Teerã, Irã, em 22 de outubro de 2016 [Supreme Leader Press Office / Anadolu Agency]
 
Cooperação Venezuela - Cuba:  A cooperação entre Cuba e Venezuela é uma aliança estratégica que reflete uma interdependência complexa, sustentada por interesses mútuos e uma agenda ideológica comum centrada na luta contra os Estados Unidos e a influência americana na região, denominada anti-imperialismo . Desde o governo de Hugo Chávez, essa relação foi fundamental para ambos os países no enfrentamento das pressões externas, especialmente as sanções dos Estados Unidos. Cuba, com sua vasta experiência em segurança, inteligência e controle social, tem sido um aliado crucial para a Venezuela, oferecendo treinamento a suas forças de segurança e ajudando a lidar com manifestações opositoras, enquanto assegura a continuidade do regime de Nicolás Maduro. Em troca, a Venezuela tem fornecido à Cuba petróleo e outros recursos energéticos essenciais para sua sobrevivência econômica, pois a escassez causada pelo embargo internacional comprometeria sua estabilidade. Além disso, médicos cubanos têm sido enviados à Venezuela, ajudando a manter o sistema de saúde local. Essa troca beneficia ambos os países: enquanto Cuba recebe recursos energéticos vitais para sua economia, a Venezuela ganha apoio técnico e estratégico, além de um aliado fiel na resistência a qualquer intervenção externa. Em uma região marcada pela resistência ao domínio americano, Cuba e Venezuela solidificam sua parceria não apenas no campo econômico e de segurança, mas também no embate contra a hegemonia das potências ocidentais, criando blocos como a ALBA para contrapor os interesses dos Estados Unidos na América Latina.
 
Os presidentes de Cuba, Miguel Diaz-Canel, e da Venezuela, Nicolás Maduro, durante um encontro no Palácio de Miraflores, em Caracas, em maio de 2018 Foto: JUAN BARRETO / AFP
Os presidentes de Cuba, Miguel Diaz-Canel, e da Venezuela, Nicolás Maduro, durante um encontro no Palácio de Miraflores, em Caracas, em maio de 2018 Foto: JUAN BARRETO / AFP
 
Cooperação Venezuela - Rússia: A Rússia se tornou o principal fornecedor de armas para a Venezuela e em contra partida, a Venezuela a sua maior compradora, armas que foram fundamentais para a sustentação do regime. Em um artigo publicado pela Universidade de Navarro na Espanha, mostra que nas ultimas décadas o regime de Nicolás Maduro se tornou o principal cliente de armamento russo no hemisfério ocidental, os números giram em torno de 20 bilhões de dólares em aquisições, e essas armas foram essenciais para a manutenção de Maduro no poder, além de ter fortalecido o exército, uma quantidade considerável de fuzis comprados da Rússia foram parar nas mãos das milícias bolivarianas de Maduro e em todo o seu aparato paramilitar, grupo este que conta com mais ou menos 4 milhões de civis que possuem a função de proteger o regime, a informação é do próprio governo da Venezuela. 
 
Nicolás Maduro e Vladimir Putin, presidentes de Venezuela e Rússia, se cumprimentam em reunião em Moscou — Foto: Maxim Shemetov/Reuters
Nicolás Maduro e Vladimir Putin Presidente da Rússia. Fonte: Folha de SP
 
Cooperação Venezuela - China: A cooperação entre Venezuela e China tem se mostrado uma estratégia fundamental para ambos os países, com benefícios claros para o regime de Nicolás Maduro e implicações relevantes para a geopolítica global. Para a Venezuela, o apoio chinês tem sido essencial para amenizar o impacto das sanções internacionais e a crise econômica interna que perdura há anos. Desde a chegada ao poder de Hugo Chávez, as relações bilaterais se intensificaram, com a Venezuela buscando na China um parceiro estratégico para obter investimentos em infraestrutura, recursos e financiamento. A colaboração é vista como vital para o regime, garantindo sua continuidade em um cenário onde as fontes tradicionais de financiamento têm se esgotado. A China, em troca, recebe em mãos recursos energéticos em forma de petróleo, o que fortalece sua busca por segurança energética no longo prazo, além de expandir sua presença econômica e política na América Latina.
Os acordos de financiamento e investimento assinado entre ambos os governos são, frequentemente, coligados ao fornecimento de petróleo venezuelano em prazos longos, aumentando a dependência da Venezuela em relação à China. A parceria vai além do setor energético, englobando também a construção de infraestrutura e outras áreas que permitem o alívio da pressão sobre o regime de Maduro, especialmente no que tange à escassez de recursos financeiros. Esses movimentos garantem que a Venezuela continue operando, mesmo com o isolamento de muitos países ocidentais e a dificuldade de acessar créditos de organismos internacionais.
Do ponto de vista de Beijing/Pequim, o interesse vai além de simples questões comerciais. O governo chinês se beneficia da relação com a Venezuela ao garantir acesso a uma das maiores reservas de petróleo do mundo, um ativo estratégico, especialmente considerando a crescente demanda global por fontes de energia alternativas àquelas oferecidas pelos mercados tradicionais. Para a China, a aliança é um passo importante na consolidação de sua presença no continente latino-americano e na diversificação de sua carteira energética.
Para o regime venezuelano, a parceria com a China tem grande peso em sua sobrevivência política. O apoio financeiro e estratégico da China é crucial para que Maduro se mantenha no poder frente à pressão doméstica e internacional. A ajuda chinesa também proporciona ao regime uma rede de segurança no cenário global, já que a China, com sua posição estratégica no Conselho de Segurança da ONU, pode bloquear tentativas de novos esforços para sancionar ou isolar ainda mais a Venezuela. Entretanto, esse apoio vem com custos, uma vez que a Venezuela se vê cada vez mais atrelada a decisões e políticas que atendem a interesses chineses, aumentando o risco de uma perda de autonomia política e econômica a médio e longo prazo.
Portanto, a cooperação Venezuela - China não apenas fortalece o regime venezuelano internamente, garantindo-lhe algum grau de estabilidade, mas também posiciona a China de maneira mais assertiva na dinâmica geopolítica global. Isso tem implicações de longo prazo, considerando o crescente poder de influência da China em áreas vitais para sua própria segurança energética e ampliação de sua rede de alianças internacionais.
A China atua no campo econômico realizando empréstimos de grandes quantidades de dinheiro, de acordo com uma reportagem do jornal El País, somente entre os anos de 2009 e 2019 a China emprestou mais de 62 bilhões de dólares, segundo a Base de Dados de Financiamento China – América Latina do Diálogo Interamericano e da Universidade de Boston. Esta soma representa aproximadamente 40% do financiamento que Beijing/Pequim concedeu para a América Latina. Para China era uma forma de o governo Chinês adquirir uma vasta quantidade petróleo, a matemática é simples, a China é a maior exportadora de Petróleo do Mundo e a Venezuela possui as maiores reservas de Petróleo do Planeta.

Nicolás Maduro ao ser recepcionado por Xi Jinping em Pequim, em setembro passado.
Nicolás Maduro ao ser recepcionado por Xi Jinping em Pequim. AFP. 2018
  
A Atuação da Guarda Revolucionária Iraniana na Venezuela: Projeção de Poder e Influência Geopolítica
 
A Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) não é apenas uma força militar de elite; é também a espinha dorsal de muitas das políticas internacionais do Irã, especialmente no que se refere à projeção de poder no exterior. Fundada em 1979, após a Revolução Islâmica, a IRGC se tornou uma instituição central no regime iraniano, não apenas encarregada de preservar a segurança interna, mas também de expandir a revolução islâmica e os interesses geopolíticos do Irã além de suas fronteiras. No caso da Venezuela, sua atuação transcende a ajuda convencional em termos de segurança, estendendo-se à influência ideológica, apoio em inteligência e até operações clandestinas, reforçando um ponto de contato estratégico dentro da América Latina.
 
IRGC (1)
Guarda Revolucionária Iraniana. Fonte: Governo dos Estado Unidos. DOJ
 
Ao longo dos anos, o Irã, visando aprofundar sua rivalidade com os Estados Unidos e reforçar seu status como uma potência disruptiva, tem se posicionado ativamente na América Latina, sendo a Venezuela um dos principais países para a materialização desse projeto. A escolha da Venezuela como parceiro estratégico não foi acidental. O regime de Nicolás Maduro, sustentado por um governo autoritário e com dificuldades internas econômicas e políticas, se mostrou vulnerável a pressões externas e necessitado de um apoio militar e estratégico para sobreviver. A parceria com o Irã foi um ponto chave dessa resiliência, mas foi a intervenção direta da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) que consolidou o papel de Teerã no país.
A presença da IRGC na Venezuela vai além do simples envio de militares ou treinamento de forças de segurança. Trata-se de uma atuação multifacetada que inclui não apenas o fornecimento de apoio logístico e material, mas também da presença ativa de conselheiros militares e especialistas em diversas áreas de segurança e inteligência. A atuação da IRGC foi projetada para evitar que o regime de Maduro sucumbisse a pressões internas e externas, contribuindo para garantir sua sobrevivência num contexto de crise política e sanções internacionais.
A Força Quds, uma unidade de operações extraterritoriais da IRGC, teve uma participação destacada nesse cenário, coordenando a ajuda fornecida às milícias chavistas e outras forças leais ao governo. Além disso, a Força Quds também colaborou diretamente em missões de contra insurgência e treinamento de pessoal, muitas vezes utilizando táticas de guerrilha e outras técnicas militares não convencionais, adaptadas às necessidades específicas da Venezuela.
 
 
Forças Quds Corpo de Guardas da Revolução Islâmica
 
 
Mas o impacto da presença da IRGC na Venezuela não se limita à assistência militar. O Irã tem se utilizado dessa parceria não só para ampliar suas ambições de longo prazo em relação aos Estados Unidos, mas também para espalhar a ideologia islâmica revolucionária. O Irã vê no apoio ao governo de Maduro um ponto de apoio para expandir sua doutrina revolucionária, formando uma aliança entre governos e movimentos de orientação antiimperialista em várias partes do mundo. A projeção de poder na América Latina também fortalece a base do Irã contra a pressão internacional, principalmente no que tange à sua relação tensa com os EUA e seus aliados.
Essa presença ideológica, no entanto, é mais do que uma estratégia de conflito ideológico com os Estados Unidos. Está enraizada em uma lógica mais profunda, que busca criar uma frente anti ocidental e anticapitalista por meio de alianças com países que compartilham descontentamento com a hegemonia ocidental. Ao posicionar suas forças dentro de uma nação estratégica no hemisfério ocidental, o Irã não apenas desafia a ordem tradicional mundial, mas também propaga sua visão de um mundo multipolar, no qual as superpotências não dominam a política global.
Para a Venezuela, as implicações da aliança com o Irã são profundas, com a situação geopolítica e a política interna se entrelaçando com as motivações ideológicas de Teerã. A cooperação com o Irã coloca a Venezuela em uma posição geopolítica única, alinhando-se com uma potência que é vista como adversária da ordem liderada pelos EUA, o que tem consequências diplomáticas significativas para o regime de Maduro.
Essa proximidade com o Irã também afeta as relações da Venezuela com países latino-americanos e organizações multilaterais. Por um lado, fortalece a posição de Caracas entre as nações que rejeitam a intervenção ocidental e procuram desenvolver uma oposição sólida às políticas dos Estados Unidos. Por outro lado, isso atrai condenações e isolamentos de nações democráticas e do sistema internacional como um todo. Países como Colômbia, Brasil e outras nações da América Latina têm constantemente questionado esse apoio estreito com o Irã, que não é apenas militar, mas ideológico, em um cenário no qual o poder econômico da Venezuela está severamente comprometido pelas sanções e pressões diplomáticas.
 
 
A influência do Irã dentro Governo Venezuelano: Uma análise das operações  de inteligência e decisões de Estado - DefesaNet
Presença e Influência Iraniana dentro da Venezuela fonte: Defesa Net
 
 
 Controle e Fraude: A Manipulação Eleitoral de Nicolás Maduro e a Crise Política na Venezuela, focado no objetivo de contextualizar e mostrar a trajetória da Venezuela até Janeiro de 2025.

 

 O Nicolás Maduro herdou um regime autoritário com estruturas montadas por Hugo Chaves seu antecessor, a estrutura consiste no controle de todas as instituições do País, além de na prática comandar o executivo, legislativo e o Judiciário. A proteção de exército venezuelano e a proteção da Milícia Nacional Bolivariana, que treinou e armou mais de 4 milhões de civis para proteger e defender o governo.

 

Hugo Chaves - Minci Fonte: BDF

 

Após sua chegada ao poder no dia 5 de março de 2013, chegada ao poder em consequência do falecimento do antecessor Hugo Chávez, pela constituição, Nicolás Maduro se viu obrigado a convocar novas eleições, que ocorreram entre abril e maio de 2013, Nicolás Maduro se saiu vencedor.

No cenário internacional os preços do petróleo despencaram, e sem a receita do petróleo, a Venezuela mergulhou no caos econômico e social, ocasionando em supermercados vazios e consumidores passando longas horas em filas para comprar o básico em mercados se tornou comum, assim como pessoas revirando o lixo em busca de comida.

 

Clientes venezuelanos num supermercado vazio em Caracas.
Clientes venezuelanos num supermercado vazio em Caracas, 2014 .REUTERS

 

Em menos de um ano de mandato, Nicolás maduro estava enfrentando uma onda de protestos no País e o descontentamento popular pelo governo era evidente, amparado com as estruturas preparadas pelo seu antecessor, Nicolás Maduro utilizou do sistema e dos serviços de segurança do Estado Venezuelano para se manter no poder, militares e as milícias Bolivarianas da Venezuela atuaram com violência para reprimir os protestos e fizeram mais de 270 vítimas fatais, enquanto manifestantes eram caçados nas ruas, opositores eram perseguidos pelo governo, com cassação de mandatos, impugnações de candidaturas e em alguns casos prisões.

Através dessa estratégica, Nicolás Maduro disputou as eleições de 2018 na Venezuela, praticamente sozinho e foi reeleito presidente, a falta de transparência ocasionou em aplicações de sanções dos Estados Unidos a Venezuela, o que afundou o País ainda mais na crise.

 

Eleições de 2018. Fonte da imagem: Telesur

 

Resultando no que ficou conhecida como a crise migratória venezuelana, nos últimos anos, quase 8 milhões de venezuelanos saíram do País e foram para o exterior. Resultado de uma combinação de fatores como a crise econômica, a instabilidade política, a escassez de alimentos e medicamentos, e a repressão governamental. É considerado um dos maiores êxodos de refugiados da história recente da América Latina, com milhões de venezuelanos migrando para países vizinhos como Colômbia, Brasil, Peru, e outros, em busca de melhores condições de vida.

 

Foto: Gema Cortes / OIM
Brasil acolhe mais de 125 mil Venezuelanos por meio da Operação Acolhida Força-Tarefa Humanitária do Exército Brasileiro. Fonte: Gema Cortes / OIM. Site do governo do Brasil

 

A invasão das forças Russa em fevereiro de 2022 na Ucrânia, iniciando uma guerra na Europa, modificou o paradigma internacional e semanas depois, no dia 8 de março de 2022, representantes dos Estados Unidos se reuniram secretamente com membros do governo de Nicolas Maduro em Caracas, capital da Venezuela. Sobre a mesa de negociações estavam os seguintes pontos: os Estados Unidos se comprometiam a retirar as sanções referente a produção de petróleo na Venezuela, por sua vez, Nicolás Maduro deveria se comprometer a realizar eleições livres com a participação da oposição e libertar alguns presos americanos detidos no País. Entretanto, Nicolás Maduro estava ciente que realizar eleições livres e verdadeiramente democráticas seria decretar o fim do seu próprio governo e consequentemente de seu regime. Com a retirada das sanções, a produção de Petróleo voltou a subir e aproximou-se da marca de 1 bilhão de barris por dia, o que ajudou a economia a apresentar pequenas melhorias em vários indicadores, entre eles a diminuição da inflação.

Para impedir Maduro de colher os frutos da melhora de um problema que inicialmente foi provocado pelo seu próprio sistema de governo, a oposição começou a se organizar para a eleição que foi realizada no dia 28 de julho de 2024, diferente de eleições passadas em que a oposição ao governo boicotou o pleito ou tentou enfrentar Nicolás Maduro com várias candidaturas, nesta eleição, partidos de oposição decidiram se unir para escolher um único candidato que tivesse mais chances de vencer. As primárias consagraram María Corina Machado como a candidata de oposição para concorrer contra Nicolas Maduro, entretanto, Maduro mostrou que possui o controle total das instituições e dos poderes na Venezuela e impugnou a campanha de María Corina Machado, então, a oposição apresentou o nome da filósofa Corina Yoris que novamente foi impugnada pelo regime de Nicolás Maduro.

 

Líder da oposição venezuelana María Corina Machado durante protesto convocado pela oposição na véspera da posse presidencial, em Caracas, em 9 de janeiro de 2025
Líder da oposição venezuelana María Corina Machado durante protesto convocado pela oposição na véspera da posse presidencial, em Caracas, em 9 de janeiro de 2025 — Foto: FEDERICO PARRA/AFP

 

Corina Yoris:
Corina Yoris. fonte: Federico Parra/AFP)

 

Neste cenário, novamente os Estados Unidos retornaram a sancionar a Venezuela e Maduro se viu obrigado a aceitar um nome de oposição, foi nessa situação conturbada que surge o nome de Edmundo Gonzáles, o ex - embaixador da Venezuela na Argentina, e atualmente opositor do governo de Maduro.

 

O candidato presidencial da oposição venezuelana Edmundo González discursa para apoiadores durante um comício, em Caracas; ele veste camisa branca e acena com a mão direita
Edmundo Gonzáles, o ex - embaixador da Venezuela na Argentina. Fonte: Reuters.

 

Na madrugada do dia 29 de julho de 2024 o Conselho Nacional Eleitoral do País, órgão controlado pelo governo, anunciou a reeleição de Nicolás Maduro com 80% das urnas apuradas o conselho eleitoral comunicou "A vitória de maduro é uma tendência irreversível", informando que o atual presidente foi reeleito com 51,2% dos votos contra 44,2% do principal opositor Edmundo Gonzáles. A oposição chamou as apurações de fraudulentas e informou que iria contestar os resultados, antes das eleições as pesquisas davam a Edmundo Gonzáles cerca de 60% das intenções de votos.

 

CNE ratifica vitória de Maduro na Venezuela, mas segue sem divulgar atas
Conselho Nacional Eleitoral ratifica vitória de Maduro, mas segue sem divulgar atas. Fonte: Reuters

 

Ao criticar os resultados, a oposição alertou que as porcentagens anunciadas pelo Conselho Nacional Eleitoral não correspondem com os registros dos votos. Maria Corina Machado em uma coletiva denunciou e proferiu as seguintes palavras: "Vou dizer algo: temos 100% das atas eleitorais enviadas pelo Conselho Nacional Eleitoral, não sei da onde saíram as outras. Temos todas as que foram transmitidas e toda essa informação coincide sabem em quê? Em que Edmundo Gonzáles Urrutia obteve 70% dos votos desta eleição e Nicolás Maduro, 30%, Essa é a verdade. Ou seja, isso não é só fraude, é desconsiderar e violar grosseiramente a soberania popular". 

 

María Corina Machado e Edmundo González participam de entrevista coletiva em Caracas
María Corina Machado e Edmundo González participam de entrevista coletiva em Caracas — Foto: Federico Parra/AFP

 

O principal adversário de Nicolás Maduro é Edmundo Gonzáles, que entrou na corrida presidencial para substituir o nome mais forte da oposição, Marina Corina Machado, impedida de concorrer pelo Supremo Tribunal Venezuelano, Marina Corina foi acusada de corrupção e formação de quadrilha, algo que ela nega, vários apoiadores de Marina Corina receberam mandato de prisão e integrantes de sua equipe política foram detidos. Corina Yoris, inicialmente apontada como substituta de Marina Corina, também foi impedida de concorrer, a oposição então, se uniu no entorno da candidatura de Edmundo Gonzáles, um opositor de perfil considerado mais discreto e carismático que fez carreira na diplomacia e na academia, sendo um ex diplomata, que realizou campanhas para privatizar a indústria de Petróleo e criar condições para o retorno de cerca de 8 milhões de venezuelanos exilados no Exterior, que em números representam 15% da população Venezuelana. Já Nicolás Maduro prometia modernizar a economia Venezuelana e aprofundar o projeto Chavista.

Tanto Maduro, quanto a oposição, assinaram em 2023 o Acordos de Barbados em que o Regime de Nicolás Maduro se comprometeria a garantir a eleição presidencial e aceitar o resultado das Urnas. Como consequência dos acordos os Estados Unidos relaxaram as sanções econômicas contra os setores de Gás, mineração e petróleo controlados pelo Governo. Entretanto, tudo mudou quando as primárias da oposição foram decretadas ilegais e foram emitidos mandatos de prisão contra defensores de direitos humanos, jornalistas e membros da oposição, fazendo com que os Estados Unidos retornassem a aplicar no início de 2024 as sanções nos setores de Gás, mineração e petróleo. Um novo acordo foi assinado no final de junho de 2024, mas dessa vez sem o aval da coalizão de oposição, a coalizão alegou que o resultado original já tinha sido descumprido pelo governo. Mais recentemente, Nicolás Maduro teria cancelado o convite há uma missão da União Européia para monitorar o processo eleitoral.

O Tribunal Superior Eleitoral Brasileiro (TSE), por sua vez, desistiu de enviar dois representantes para acompanhar o processo eleitoral da Venezuela, a justificativa dada pelo TSE foi uma resposta a uma declaração de Nicolás Maduro que afirmou que as eleições no Brasil não são auditadas.

As eleições venezuelanas acabaram tendo o monitoramento da ONU (Organização das Nações Unidas) e do Centro de Estudos Americanos Carter, mas esses órgãos tiveram capacidade limitada pelo regime venezuelano para acompanhar as apurações e as contagens da votação, na prática, as duvidas sobre legitimidade do processo, e principalmente ao cumprimento do acordo de Barbados persistiam.

 

Opositor Gerardo Blyde e governista Jorge Rodríguez se reuniram em Barbados - Fonte: Governo da Venezuela


Desde 2013 a oposição não aparecia forte, com possibilidades reais de derrotar o Regime de Nicolás Maduro. Mesmo com um processo eleitoral duvidoso, as 18h00min do horário local de Caracas no dia da apuração, 29 de julho de 2024, a oposição convocou a população a realizar vigias nos centros eleitorais, a população por sua vez, protestou a demora de algumas horas da divulgação dos resultados em alguns destes centros. Já o Conselho Nacional Eleitoral afirmou que o atraso se deu por culpa de "Ataques terroristas ao Sistema Eleitoral" e concretizou a vitória a Nicolás Maduro, logo em seguida, alguns aliados próximos da Venezuela divulgaram cumprimentos e felicitações ao Nicolás Maduro, em gesto de reconhecimento ao Governo:

Luiz Arce, Presidente da Bolívia, chamou a eleição Venezuelana de "festa democrática".

 

Imagem
Conta Oficial do X (antigo Twitter) de Luiz Arce

 

 Xiomara de Castro, Presidente de Honduras e Daniel Ortega da Nicarágua saudaram os resultados.

 

EUA estão por trás de golpe contra Xiomara Castro - Diário Causa Operária
Xiomara de Castro e Maduro. Fonte: Desconhecida.

 

 

Daniel Ortega e Nicolás Maduro
Daniel Ortega e Nicolás Maduro. Fonte: BBC/AFP

 

 Mas também em contra partida vieram muitas críticas internacionais ao processo eleitoral:

 o Presidente do Chile, Gabriel Boric, que apesar de ideologicamente alinhado a esquerda, é crítico de Nicolás Maduro, afirmou: "O regime de Maduro deve entender que os resultados publicados são difíceis de acreditar, no Chile, não reconheceremos nenhum resultado que não seja verificável". 

 

Gabriel Boric, presidente do Chile, durante visita ao presidente Lula, em Brasília
Gabriel Boric. Fonte: Ton Molina/Bloomberg/Getty Images)

O presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, alinhado ideologicamente à direita, chamou o processo eleitoral Venezuelano de viciado. 

 

Presidente eleito do Uruguai, Luis Lacalle Pou aguardava resultado das eleições em foto de 25 de novembro — Foto: Mariana Greif/Reuters
Presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou. Foto: Mariana Greif/Reuters
  
A conta oficial da presidência da Costa Rica, afirmou que considera o resultado das urnas como fraudulentas.

 

Eleições na Venezuela: Costa Rica oferece asilo político a opositores de  Maduro - YouTube
Fonte: UOL

 

O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, pediu que todos os votos fossem contados “de modo justo e transparente", e em uma entrevista proferiu as seguintes palavras: "Temos sérias preocupações de que o resultado anunciado não reflete a vontade nem os votos do povo venezuelano". 
 
172216724866a62fd0e973b 1722167248 3x2 lg
Antony Blinken, secretário de Estado americano, durante coletiva de imprensa em Tóquio – Kazuhiro Nogi/AFP
 
O Governo do regime de Nicolás Maduro reagiu às críticas dizendo que estava em curso uma "operação de intervenção contra o processo eleitoral". 
O governo Colombiano, do Presidente Gustavo Petro, não criticou diretamente o processo, mas pediu uma auditoria independente da contagem, a Colômbia possui um governo de esquerda alinhado ideologicamente com o de Nicolás Maduro e assim como o Brasil é considerado um País crucial para mediar à situação na Venezuela.
 
 
Petro e Lula
o Presidente Colombiano e Lula durante encontro em Brasília
 

Até o presente momento a última nota a imprensa do Itamaraty (Ministério de Relações Exteriores do Brasil) é a nota de número 384 publicada em 24/08/2024, sendo uma declaração conjunta entre Brasil - Colômbia disponível no site do governo Federal e finaliza com a seguinte declaração: "Brasil e Colômbia tomam nota da decisão do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela sobre o processo eleitoral. Reiteram que continuam a aguardar a divulgação, pelo CNE, das atas desagregadas por seção de votação e relembram os compromissos assumidos pelo governo e pela oposição mediante a assinatura dos Acordos de Barbados, cujo espírito de transparência deve ser respeitado. Manifesta também sua total oposição à continuada aplicação de sanções unilaterais como instrumento de pressão. Compartilham o entendimento de que sanções unilaterais são contrárias ao direito internacional e prejudicam a população dos países sancionados, em especial as camadas mais vulneráveis."

O Governo Brasil foi convidado para a posse de Nicolás Maduro que ocorreu no dia 10 de Janeiro de 2025 e decidiu enviar a embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira. Em uma linguagem de relações internacionais, o envio de um representante, do mais alto nível, embaixadora, a representação máxima do Brasil em território Venezuelana.

 

Imagem da noticia Governo confirma participação de embaixadora do Brasil em posse de Maduro
Governo Lula vai enviar embaixadora do Brasil em Caracas para posse de Maduro | Divulgação/Ricardo Stuckert/PR e Reprodução
 

Neste contexto, o Brasil vetou a entrada da Venezuela no BRICS e por consequência o Regime de Nicolás Maduro proferiu ameaças públicas ao Brasil através da sua Policia Bolivariana da Venezuela, a ameaça se constituiu na publicação na rede social oficial da Policia Bolivariana do Regime de Nicolás Maduro, e foi realizada da seguinte maneira: Uma foto escura da silhueta do Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sob uma bandeira do Brasil com a “#El que se meta con Venezuela se seca#”, na tradução: “Quem se mete com a Venezuela Se dá Mal”. E demonstrando uma enorme demonstração de fraqueza de Estado, O Planalto, o governo federal do Brasil alegou que iria “Ignorar as ameaças de Caracas e Não irá emitir nenhuma resposta a ameaça da Policia Venezuelana”, demonstrando que a fraqueza do governo em virtude de conceitos e alinhamentos ideológicos, se mostrou acima do que um compromisso de Estado, teoricamente Soberano, que por direito deveria responder a altura um regime, onde o represente é um ditador.

 

 

Polícia da Venezuela faz ameaças ao Brasil. A legenda da publicação é: "Nossa pátria é independente, livre e soberana. Não aceitamos chantagens de ninguém, nem somos colônias de ninguém. Estamos destinados a vencer". Reprodução/Redes Sociais

 
01032024_maduro_32.jpg
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o presidente Lula durante bilateral em São Vicente e Granadina, em 2024. Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

O presidente da Venezuela compartilhou foto em que aparece ao lado de Lula Foto: Reprodução / Twitter
Presidente da Venezuela compartilhou uma foto em que aparece ao lado de Lula. Foto: Reprodução / X Antigo Twitter
 
 Posse Controversa de Nicolás Maduro em 2025: Repercussões Internacionais e Sanções Crescentes

Em meio a protestos internacionais e repercussões, Nicolás Maduro tomou posse no dia 10 de janeiro de 2025, estando oficialmente reeleito para um terceiro mandato à frente da Venezuela. Os ditadores de Cuba, Miguel Díaz-Canel, e da Nicarágua, Daniel Ortega, estiveram presentes na posse. 

Rússia, China, Bolívia e Honduras reconhecem Maduro como vitorioso da eleição e enviaram representantes. México, Colômbia e Brasil não reconhecem a eleição de Maduro nem do opositor, Edmundo Gonzáles; cobram as atas das urnas, que Maduro, como um ato autoritário, não apresentou. Mesmo assim, esses países enviaram seus embaixadores para a posse, que, na prática, se concretiza como um reconhecimento e respaldo para a reeleição e a continuidade do regime de Nicolás Maduro.
Países como Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Peru, Paraguai, Costa Rica, Panamá, República Dominicana, Chile, além da União Europeia, afirmam que Maduro fraudou a eleição e alguns reconhecem Edmundo Gonzáles como o presidente eleito da Venezuela e não enviaram representantes. Gonzáles permanece exilado na Espanha desde setembro, com o intuito de evitar uma prisão. O regime de Nicolás Maduro acusa Edmundo de usurpação, ligação com grupos e ações terroristas, além de falsificações.
 
Posse de Nicolás Maduro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Posse de Nicolás Maduro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
 
Na segunda semana de janeiro, Gonzáles passou pelos Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Panamá e República Dominicana com o intuito de alavancar apoios diplomáticos. No dia 09 de janeiro de 2025, entregou ao governo panamenho a custódia das verdadeiras atas das eleições que o deram como vitorioso sobre Nicolás Maduro. As atas ficarão nos cofres do Banco Nacional Panamenho. A ideia era desembarcar em Caracas no dia 10 de janeiro de 2025; entretanto, ele mudou de ideia, pois soube que seria detido pelo regime de Maduro.
A líder da oposição, Marina Corina Machado, foi detida em uma manifestação no dia 09 de janeiro de 2025. Segundo a própria Marina Corina, ela foi intimidada pelas forças de segurança de Nicolás Maduro e, horas depois, foi liberada. Em um vídeo gravado, María Corina Machado realizou o seguinte comunicado:
"Maduro não poderá governar pela força uma Venezuela que decidiu ser livre. Hoje, peço a todos os venezuelanos que exerçam vigorosamente o seu direito de protestar. Maduro consolidou o golpe de Estado e a violação da nossa Constituição. É hora de fazer o que for preciso para restaurá-la”, afirmou María Corina Machado.
 
María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
 
Estados Unidos e União Europeia aplicaram sanções. Os Estados Unidos aumentaram os valores da recompensa que levassem à captura de Nicolás Maduro, Diosdado Cabello, o número dois do regime, e Vladimir Padrino Lopes, Ministro da Defesa das Forças Armadas. No dia 10 de janeiro de 2025, impuseram sanções a mais oito autoridades do regime.
 
U.S Department Of State. Fonte: Gazeta Brasil
 
 
U.S Department Of State. Fonte: State Gov DOS.

Por violação dos direitos humanos e por terem destruído a democracia e o Estado de direito na Venezuela, o Reino Unido incluiu na lista de sanções mais 15 pessoas ligadas ao regime de Maduro.
O Brasil, na figura do vice-presidente Geraldo Alckmin, limitou-se a realizar declarações, apenas classificando como "lamentável" a posse de Maduro. Contudo, não tomou nenhuma ação contundente nem realizou qualquer pressão diplomática.
 
Conclusão: A Permanência de Maduro e o Custo para a Venezuela
 
A criação da Assembleia Nacional Constituinte, juntamente com a estreita parceria das Forças Armadas, representou um passo fundamental para Nicolás Maduro manter e solidificar seu domínio na Venezuela. Esse movimento, ao anular a capacidade da oposição e tornar os mecanismos de poder mais concentrados, contribuiu para que o regime de Maduro se estabelecesse como um sistema autoritário eficaz. Mais do que resistir à oposição, ele soube explorar estratégias de repressão direta e indireta, seja por meio da violência institucional ou utilizando a rede de colectivos paramilitares, gerenciados com a ajuda dos serviços de inteligência do regime.
Essa mobilização interna de poder não suficiente para que o governo se mantivesse no poder, caso não tivesse buscado e consolidado alianças internacionais cruciais. A ajuda militar e econômica de aliados como Irã, Rússia, Cuba e China forneceu suporte estratégico vital. O regime de Maduro sobreviveu, em grande parte, ao fortalecimento dessas parcerias e ao aumento da dependência econômica e militar com potências fora da esfera ocidental, o que modificou a dinâmica geopolítica da América Latina e desafiou as tentativas de intervenção dos Estados Unidos e seus aliados.
Entretanto, a complexidade do poder de Maduro vai além do apoio estrangeiro e se estende à maneira como o regime tem lidado com os enormes desafios internos, desde a crise humanitária e o desespero popular até as enormes pressões internas e externas para mudanças. Apesar disso, o regime de Maduro manteve seu domínio, em boa parte, pela sua habilidade em cultivar lealdades internas, no ambiente de caos econômico, e por ter uma forte presença e controle sobre as estruturas militares. Esse modelo de resistência se reflete no panorama global, mostrando como regimes autoritários podem adaptar suas estratégias de sobrevivência tanto no cenário interno quanto nas alianças com potências estrangeiras, garantindo sua permanência no poder a qualquer custo, com impactos profundamente negativos para a sociedade venezuelana e o equilíbrio da região.
 
Escrito e produzido por: Gabriel Chagas.
 
Entusiasta por Geopolítica, Espionagem, Relações Internacionais e Autor do Blog Mundo em Conflito.
 
Referências: 
 

Operação Gedeón

THE NEW YORK TIMES. Failed Coup and Operation Gedeón: The Venezuela Crisis Escalates. The New York Times. Disponível em: https://www.nytimes.com/. Acesso em: jan. 2025.

EL PAÍS. Operation Gedeón: Mercenaries and the Venezuelan Government's Response. El País. Disponível em: https://elpais.com/. Acesso em: jan. 2025.

G1; O GLOBO; BBC NEWS. Os bastidores da ‘Operação Gideon’, a fracassada missão suicida para capturar Nicolás Maduro na Venezuela.

Colectivos e a repressão

THE ECONOMIST. Venezuela's Militant Pro-Government Groups: The Colectivos. The Economist. Disponível em: https://www.economist.com/. Acesso em: jan. 2025.

INSIGHT CRIME. Colectivos in Venezuela: Paramilitary Groups and Government Influence. Insight Crime. Disponível em: https://insightcrime.org/. Acesso em: jan. 2025.

SEBIN e DGCIM

VENEZUELA ANALYSIS. SEBIN and DGCIM: Venezuela's Secret Police. Venezuela Analysis. Disponível em: https://venezuelanalysis.com/. Acesso em: jan. 2025.

MIAMI HERALD. The Role of SEBIN and DGCIM in Venezuela's Repression. Miami Herald. Disponível em: https://www.miamiherald.com/. Acesso em: jan. 2025.

Irã e a relação com Maduro

FOREIGN AFFAIRS. Iran-Venezuela Relations: Geopolitics in the Americas. Foreign Affairs. Disponível em: https://www.foreignaffairs.com/. Acesso em: jan. 2025.

CNN. How Venezuela and Iran Strengthen Ties Against US Pressure. CNN. Disponível em: https://www.cnn.com/. Acesso em: jan. 2025.

Cuba e o apoio ao regime de Maduro

THE WASHINGTON POST. Cuban Influence in Venezuela: Supporting Maduro's Regime. The Washington Post. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/. Acesso em: jan. 2025.

REUTERS. Venezuela and Cuba: Political and Military Alliances in the Crisis. Reuters. Disponível em: https://www.reuters.com/. Acesso em: jan. 2025.

China e seus laços econômicos e políticos com a Venezuela

THE FINANCIAL TIMES. Venezuela-China Relations: Economic and Political Developments. The Financial Times. Disponível em: https://www.ft.com/. Acesso em: jan. 2025.

THE DIPLOMAT. China's Strategic Interests in Venezuela and Latin America. The Diplomat. Disponível em: https://thediplomat.com/. Acesso em: jan. 2025.

ALBA

TELESUR. ALBA: Latin America's Bolivarian Alliance. Telesur. Disponível em: https://www.telesurenglish.net/. Acesso em: jan. 2025.

PRENSA LATINA. The Role of ALBA in Supporting Venezuela. Prensa Latina. Disponível em: https://www.prensalatina.com/. Acesso em: jan. 2025.

Universidade de Navarra na Espanha

UNIVERSIDAD DE NAVARRA. La Rusia como principal proveedor de armas para Venezuela. Pamplona: Universidad de Navarra, [s.d.].

China e Venezuela

EL PAÍS INTERNACIONAL. China e Venezuela: uma relação baseada em dívidas.

Venezuela – Eleições e política

BBC NEWS BRASIL. Vitória de Maduro: por que oposição contesta resultados da eleição na Venezuela.

AGÊNCIA BRASIL. TSE cancela o envio de servidores para acompanhar a eleição na Venezuela.

Relações entre Brasil e Venezuela

BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Nota à Imprensa n° 384: Declaração conjunta de Brasil e Colômbia.

CNN BRASIL; TORTELLA, Tiago. Polícia da Venezuela ameaça Brasil em postagem com imagem de Lula.

G1; TADDEO, Luciana. Polícia da Venezuela ameaça Brasil em postagem com imagem de Lula.

O GLOBO; OLIVEIRA, Eliane. Após convite, governo Lula decide enviar embaixadora para posse de Maduro; leia bastidores.

G1; Jornal Nacional. Ditador da Venezuela toma posse para o terceiro mandato; líder da oposição diz que Maduro consolidou um golpe de Estado.

U.S. Department of State

U.S. DEPARTMENT OF STATE. Departament of State. Disponível em: https://www.state.gov/. Acesso em: jan. 2025.


 
 





 

 

Comentários