A partir de 1996, o
governo da República Tcheca iniciou a liberação gradual dos arquivos da STB
(Státní bezpečnost), o serviço secreto da antiga Tchecoslováquia. Entre os
documentos desclassificados, o Brasil aparece como um dos países alvo das
operações de inteligência conduzidas durante a Guerra Fria. As evidências
apontam que o Serviço de Segurança do Estado (STB), ativo entre 1945 e 1990,
manteve agentes e estruturas operacionais no território brasileiro, em estreita
colaboração com a KGB soviética.
Essas ações faziam
parte de uma estratégia geopolítica da URSS para influenciar a América Latina,
utilizando não apenas o aparato de espionagem russo, mas também o de seus países satélites. No caso da Tchecoslováquia, a estrutura responsável por essas
operações era a Diretoria I da STB, dedicada exclusivamente à inteligência
estrangeira, equivalente ao Diretório de Operações no Estrangeiro da KGB.
Os arquivos revelam que as
atividades no Brasil eram classificadas como prioritárias pela central
soviética em Moscou, e que os espiões tchecos, sob supervisão da KGB, atuavam
com liberdade para executar operações ativas de desinformação, infiltração em
instituições e monitoramento de alvos estratégicos.
Embora o primeiro agente
tchecoslovaco oficialmente documentado tenha chegado ao Brasil em 1952, há
fortes indícios de que espiões soviéticos já estavam presentes em solo
brasileiro antes disso. No entanto, este artigo se concentra especialmente na
atuação da inteligência Tcheca, braço essencial da ofensiva de influência
soviética no continente sul-americano.
As classificações dos
agentes variam, por exemplo:
·Oficiais: Trabalham
nas embaixadas e residências representativas de Países, beneficiando-se da
cobertura diplomático, de entidades nacionais ou até de empresas para encobrir
e suas operações de inteligência e espionagem.
· Agentes
conspiratórios: Utilizam identidades falsas e são infiltrados no País para
atuar como um agente estrangeiro.
· Espiões: Agentes
de espionagem ou colaboradores que não atuam sob proteção diplomática ou
consular, são enviados ou recrutados e desenvolvem suas vidas sob novas
identidades, nos países alvos.
É comum que embaixadas
oficiais sejam usadas como bases avançadas para operações de Inteligência. Os
Soviéticos eram tão especializados nessas ações que criaram o conceito de
“Rezidenturas” que são quartéis-generais de Espionagem localizados em Países
estrangeiros.
Quando pensamos em
espiões, serviços de inteligência, espionagem, têm o costume de associar
somente ao roubo de informações, espionagem de figuras publicas,
políticos ou pessoas relevantes, entretanto, conforme descrito em livros
referenciais, como "Desinformação" de Ion Pacepa, KGB e a
"Desinformação Soviética de Ladislav Bittman", a maior porcentagem
das atividades dos serviços secretos comunistas estava vinculada a ações para
influenciar governos, sociedades e entidades em prol do bloco soviético e
contra o inimigo principal, os EUA. Inclusive, nos documentos oficiais comunistas
o nome dos Estados Unidos, este descrito como “O inimigo Principal”
Instituto para o Estudo
dos Regimes Totalitários (tcheco: Ustav pro studium totalitních režimu -
ÚSTR) é um instituto e agência de pesquisa criada pelo governo tcheco em 2007.
Foi estabelecido pela Lei 181/2007, de 1º de Agosto de 2007, após cerca de dois
anos de preparação. O instituto esta situado em Praga, na Rua Siwiec,
assim nomeada em homenagem a Ryszard Siwiec – Setor responsável por guardar
informações referentes a este período.
O objetivo é reunir,
preservar, analisar e tornar acessíveis ao público os documentos dos regimes
totalitários nazistas (1938-1945) e comunistas (1948-1989) da República Tcheca,
com o foco principal nos documentos da sua antiga policia secreta, a
anteriormente citada STB, e esses documentos comprovam que a inteligência Tcheca
tinha acordos de colaboração com a KGB Soviética para ações e operações na
América Latina, principalmente no período da Guerra Fria. Os alvos principais
eram: Argentina, Brasil, México e Uruguai.
A escassez de literatura
nacional sobre o assunto dificulta a análise aprofundada dos casos e da
situação. Para elaborar este texto, foi necessário recorrer a arquivos
desclassificados de países estrangeiros, especialmente da República Tcheca.
Além disso, muitos documentos brasileiros e tchecos foram destruídos, o que
impede a plena compreensão da grandiosidade das operações no Brasil. No
entanto, os trabalhos iniciais do tradutor brasileiro residente na Polônia,
Mauros “Abranches” Kraenski e do colunista checo, Vladimír Petrilák, lançaram
luz sobre este período pouco conhecido pela sociedade brasileira. Ambos
começaram a investigar os arquivos da STB e realizaram duas obras reveladoras:
1964: O Elo Perdido (2017) e A Traição Invisível: Brasileiros nos arquivos do
serviço secreto comunista (2022), e nestas obras iniciais dos vestígios da
atuação da STB no Brasil conseguiram identificar as seguintes operações ativas
(AO):
· OPERAÇÃO THOMAS MANN,
CONHECIDA COMO AO MANN E AO TORO: Manipulação e realização e
distribuição de documentos forjados do FBI e de outras instituições, inclusive
com a assinatura de membros importantes do governo Americano, como por exemplo:
Thomas Mann, J Edgar Hoover e Thomas A. Brady para fomentar o
antiamericanismo, culminando com a implicação dos EUA no contragolpe de 1964.
A desinformação foi
divulgada por jornalistas, funcionários públicos brasileiros recrutados como
colaboradores/agentes pela STB, a ação difamatória envolveu o pagamento/suborno
para as pessoas citadas acima, a missão foi um sucesso, até os dias atuais, a
epifania e o lema da interferência Americana na deposição do presidente João
Goulart é repetida. Além de descrever as informações o arquivo coloca
suas identidades:
· Flávio Tavares
(1934-): jornalista da Última Hora, atualmente articulista do Zero
Hora (codinome LENCO). Escalado pelos checos para ações de desinformação e
política de influência. Foi Tavares quem levou seu amigo e deputado Guerreiro
Ramos a mentir sobre a política externa americana no parlamento, tendo este que
se retratar posteriormente. Inicialmente traiu o país em troca de garrafas de
bebidas e “frasquinhos de perfume”, depois passou a exigir dinheiro. Trabalhou
muito para a STB, chegando a fazer amizade com o pessoal da embaixada americana
para repassar informações aos tchecos. No dia do Contragolpe em 1964 correu
para esconder-se na embaixada iugoslava. Recebeu prêmio milionário da Comissão
da Anistia – há anos vive em Búzios à custa do povo brasileiro. Curiosamente o
filho de Flávio Tavares realiza em 2013 um documentário panfletário (O dia
que durou 21 anos) que tenta empurrar o, segundo documentos oficiais da STB
e dos autores o engodo da interferência americana.
· Roberto Plassing
(1927-?): jornalista do Última Hora, Diário Carioca e O Estado
de São Paulo. Também participou da AO VOLHA de desinformação. Também atuou
na AO ONASIS. (codinomes KAT e PAULO)
· Luiz Vasconcelos
(1920-?): redator do Diário de Notícias e Conjuntura Econômica.
Também operava atividades contra a embaixada americana e a USIS (US Investigation
Services). Era pago em dinheiro por seus serviços. (codinomes ARAB e LEANDRO).
· Antonio Luiz
Fernando D`Araújo (1930-?): geólogo e funcionário da Petrobras (presidiu o
clube de engenheiros da estatal). Também operava atividades contra a embaixada
americana e a USIS. Exigia um salário mensal para colaborar. (codinome KANO e
ARAGON).
· Jadiel Ferreira de
Oliveira (1937-): funcionário do Ministério das Relações Exteriores, depois
embaixador. Operava com o agente KANO acima. Atualmente é petista. (codinome
LYMO)
· AO STROJ:
relacionada ao controle e direção do jornal O Seminário, financiado pela
STB e KGB. Curiosamente este jornal era celebrado como sendo “totalmente
independente” na “defesa dos interesses do Brasil” – mentira é a essência.
Ambos fundadores do jornal eram agentes da STB: Joel Magno Ribeiro da
Silveira (1918-2007 – codinome KRNO) e Oswaldo Costa (1900-1967 – codinome
STROJ).
· AO LAVINA:
a maior parte da documentação foi destruída, restando apenas o suficiente para
identificar tratar-se de outro jornal controlado pela STB-KGB.
· AO LUTA: visava
“causar demonstrações e tumultos antiamericanos” e, potencialmente, “provocar
uma guerra civil no Brasil”, fazendo com que os ideologicamente alinhados (i.e.
comunistas) “tomassem o poder”. Entre as ações descritas encontravam-se: (a)
convencer Jânio Quadros a realizar declarações antiamericanas (estaria aqui à
explicação da esdrúxula condecoração de Che Guevara por Quadros?), (b) difamar
Carlos Lacerda como agente americano seguida de agitações populares, (c) usar
as Ligas Camponesas para demonstrações antiamericanas, (d) reforçar o armamento
da 1ª Divisão do 3º Exército sob o comando do General Oromar Osório
(1911-1981), aliado de Brizola, e (e) organizar um “exército no norte” unindo
as Ligas Camponesas e as demais forças esquerdistas, enviando-lhes armamento
via Cuba (as armas foram enviadas – ver O Apoio de Cuba à Luta Armada no
Brasil de Denise Rollemberg).
· AO DON: apoiar o
novo regime cubano (1961) plantando nos jornais artigos escrito pela KGB. Osny
Duarte Pereira (1912-2000) juiz do Tribunal de Justiça do Estado da
Guanabara Trabalhou nesta ação sob o codinome de DURAN.
· AO DRUZBA: criar
a Frente Nacional de Apoio a Cuba para parecer que o povo brasileiro
espontaneamente apoiava a revolução cubana. A STB financiou a publicação de
manifestos, impressão de folhetos (AO LEAL), e organização do amplamente
divulgado Congresso Continental de Solidariedade a Cuba em 1963 em Niterói RJ.
Importante lembrar que no ano anterior fora descoberto que Cuba financiava o
treinamento de guerrilheiros brasileiros em solo cubano e brasileiro (ver Varig
voo 810 nas notas abaixo).
· Trabalharam nesta ação
os agentes: (a) Ramon dos Santos Belo (1918-?) capitão do exército na
reserva. Também atuou na AO LUTA. Encontrou-se 119 vezes com os agentes checos
e era pago em dinheiro. (codinome LAR e CIM), e (b) Celso Teixeira Brant
(1920-2004) advogado e político. Fora ministro da educação no governo de
Juscelino. Ajudava os checos na contra inteligência militar e política de
influência (codinome MACHO).
· AO MANUEL: apoio
checo à ação cubana de treinamento de guerrilheiros e terroristas brasileiros
(e de outros países da América Latina) em Cuba. A STB organizava a falsificação
de passaportes e a logística de envio e retorno dos terroristas brasileiros a
Cuba. A Federação Mundial dos Sindicatos e a União Internacional de Estudantes,
ambas as organizações de fachada da KGB, auxiliavam na logística.
· Entre os terroristas
enviando do Brasil para treinamento em Cuba estava Alípio de Freitas
(1929-2017), português de nascimento, onde foi ordenado padre, e terrorista no
Brasil. Famoso por seu apego ao álcool e orgias sexuais. Apesar de seus crimes,
e de nem brasileiro ser, foi agraciado com polpuda pensão pela Comissão da
Anistia com dinheiro expropriado do povo brasileiro.
· Até o início dos anos
70, Cuba treinou pelo menos 202 militantes brasileiros em guerrilhas urbanas e
rurais.
· AO MARTINEZ:
derivada da AO MANUEL, buscava contato com os terroristas brasileiros em
trânsito em Praga, que frequentavam Cuba, para recrutar futuros agentes.
· AO KLACEK: contra
a política exterior americana em relação ao Brasil, trabalhava para o
descrédito da CIA e dos ambientes de direita no Brasil.
· AO LIGA:
desacreditar e boicotar a Aliança para o Progresso, proposta do presidente John
F. Kennedy para acelerar o desenvolvimento econômico e social na América
Latina.
· AO PRÁVO:
publicação e divulgação de livro do político argentino Enrique Ventura
Corominas (codinome PILAR) que fora escrito sob encomenda da KGB difamando a
política americana para a América Latina (Cuba em Punta del Leste). Celso
Teixeira Brant (codinome MACHO) foi escalado para esta ação.
· AO LAVINE:
organização de uma editora (ACAICA) e de um jornal (Frente Popular –
abortado) ao cargo de Celso Teixeira Brant (codinome MACHO).
· AO MARS:
atuou na difamação da ação americana do Peace Corp.
· AO HARLEM:
campanha de imputação de racismo aos EUA.
· AO JISKRA:
estabelecimento de uma nova organização estudantil militante.
A informação de que além
dos agentes citados acima, a STB dispunha de 15 colaboradores brasileiros e
contatos secretos a sua disposição no Brasil que eram utilizados na coleta de
dados ou até mesmo em operações distintas pelo território Nacional, o documento,
descreve nominalmente cada colaborador que auxiliar de maneira ativa os espiões
da STB no Brasil, alguns inclusive, conhecidos e que estão ou estavam até os
dias de hoje ativos na imprensa, ou na política, optei por não citar nomes
destas pessoas, porém, se pesquisar “O Brasil nos arquivos da STB” o nome
dessas pessoas estará citado.
A principal Base da
Rezidentura da KGB e STB para as operações no Brasil estavam localizadas no Rio
de Janeiro, porém, existia também em Brasília e em São Paulo.
Neste processo há algumas
curiosidades descritas no livro e consequentemente nos arquivos do Serviço
Secreto em Praga:
· A STB no Brasil informou
aos superiores em Praga que depois do contragolpe, Brizola, desde o refúgio no
Uruguai, organizava unidades terroristas nos territórios menos habitados do
Brasil. A ideia era provocar o caos no país através de sabotagens e terror, e,
quando surgisse a oportunidade, retornar ao país para liderar o movimento
armado.
· Em 1959, Jânio Quadros
(1917-1992) visitou Moscou acompanhado de um tradutor com o qual fez amizade.
Reencontraram-se em Cuba na visita e Quadros àquele país. O “tradutor” era
Alexander Alexeyev (1913-2001), um oficial da KGB.
· Em julho de 1961 a STB
estava organizando a entrada no Brasil de médicos soviéticos disfarçados de
turistas para examinar a enfermidade nos olhos de Jânio Quadros. A ação foi
abortada com a renúncia de Quadros.
· Agente tcheco (codinome
Bakalár) descreveu assim o povo brasileiro, mas especificamente na sua área de
atuação, o Rio de Janeiro: “No Brasil, por regra, encontramos pessoas
ignorantes, que, mesmo com numerosos títulos científicos, não chegam aos pés da
nossa gente com formação primária”.
· Outro agente tcheco,
codinome Honza, informava seus superiores que “todo o povo (brasileiro) é
educado em um espírito de desprezo para com o trabalho”. E o agente (codinome
Jezersky): “… características tipicamente brasileiras, como falta de coerência
e falta de regularidade”.
A história da KGB e da STB
no Brasil é vasta e complexa. Podemos concluir que conhecemos apenas uma fração
das infiltrações e operações destes agentes/espiões que se estenderam para
outras regiões da América do Sul, como o Uruguai, e a relação deste assunto
envolvendo Brasil e Uruguai se conecta em vários pontos, o principal, políticos
brasileiros foram exilados no Uruguai, como por exemplo, João Goulart e todo o
seu staff, até para exemplificar, os documentos citam o colaborador Raul
Francisco Ryff (1911 – 1989), jornalista, assessor e amigo de João Goulart que
foi descoberto como um espião da STB, que agia sob o codinome de LETO, que
juntamente com o João Goulart se exilou em Montevidéu.
A ideia do texto é
apresentar um breve período da história do Brasil pouco conhecida pela
sociedade Brasileira, e também pouco debatida e estudada em ambientes
educacionais e principalmente pouco apresentada nas diferentes emissoras de
comunicação.
Alguns documentos
desclassificados que foram utilizados como referência para comprovar a atuação
da STB na América Latina:
 |
| Documento
enviado da Central em Praga para uma Rezidentura na África (provavelmente na cidade do
Cairo, Egito), existente na pasta com número de registro 90008 página nr 205,
dedicada à AO DRUŽBA: |
Tradução
do documento:
Anotação
manuscrita: remessa
especial para [ilegível, trata-se provavelmente da palavra Cairo]
Praga,
31 de Janeiro de 1963
AO
DRUŽBA.
Na última remessa, enviamos para vocês materiais relacionados com
a AO DRUŽBA que está sendo executada. Além disso, informamos que recebemos o
endereço exato da FNAC:
FRENTE NACIONAL
DE APOIO A CUBA, RUA SENADOR DANTAS Nr. 117 SALAS 1904, RIO DE JANEIRO,
ESTADO DA GUANABARA BRASIL.
Ao mesmo
tempo, estas operações também estão sendo efetuadas pelos amigos soviéticos.
Por isso, esta questão deve ser consultada com eles, para que não surjam ações
repetidas durante o aproveitamento dos contatos da organização Africana.
Outro
documento relevante e ultra secreto do STB, que foi desclassificado, referente
ao relatório de um agente desconhecido enviado para o gabinete de
Antonín Novotný, primeiro secretário do Partido Comunista da Tchecoslováquia, a suspeita é que o
relatório foi redigido pelo agente Mané – Miroslav Štráfelda, correspondente
da Agência de Imprensa Tchecoslovaca no Brasil, expulso do País em maio de
1964.
O relatório é extenso e
não encontrei o manuscrito do mesmo na língua portuguesa, porém, a tradução de
quatro pontos importantes descritos pelo autor que inclui:
1. “Hesitação
típica de Goulart e a sua incapacidade de levar as coisas até o fim”, são
seguidas pela descrição da reação da imprensa “(…) Em vez de uma ordem imediata
para a luta, em vez de conduzir o povo trabalhador para as ruas e convocar um
levante nacional, em vez de armar os trabalhadores imediatamente, a rádio do
governo, até quando ali apareceram alguns oficiais e bateram no locutor,
transmitia somente juramentos patéticos de lealdade a Goulart, o que não ajudou
em nada o confronto contra as bazucas e tanques dos oficiais”.
2. A
diferença entre sentimento e a verdadeira vontade e organização do povo para
lutar, relato que o povo não estava disposto a protestar.
3. A
base da falência da esquerda foi a sua falta de organização.
4. O
“deslocamento militar de forças” falhou. Goulart subestimou o papel dos
oficiais nas forças armadas, e, através de sua atitude pouco decisiva, fez que
as forças armadas também não ficassem ao seu lado de forma decisiva.
 |
| Relatório
sobre o Golpe Militar de 09/06/01964 (1ª folha). Arquivo Nacional da República
Tcheca, nº do acervo: 1261/0/44, Partido Comunista da Tchecoslováquia – Comitê
Central – Gabinete do primeiro secretário do comitê central do partido
comunista da Tchecoslováquia. |
Após citar operações ativas
realizadas pelo serviço de inteligência da Tchecoslováquia com o auxilio da
Central da KGB em Moscou, nesse parágrafo, o texto irá citar alguns casos
específicos de infiltrações e influências da KGB e do GRU, dos serviços de
inteligência Russos no Brasil ao longo da história, por exemplo:
· Caso Gregório Bezerra: Gregório
Bezerra foi político brasileiro ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e
suspeito de ter ligações com a KGB. Ele foi preso durante da ditadura militar
no Brasil e, segundo relatos, teria sido recrutado pela KGB quando esteve
exilado na União Soviética.
· Caso da Revista “A
classe Operária”: Durante a década de 1960, a KGB teria financiado a publicação
da revista “A Classe operária”, ligada ao PCB. A revista era usada como veículo
de propaganda comunista e influência política.
· Infiltração em Setores
Acadêmicos e Intelectuais: Há relato de que a KGB e os serviços de
inteligência da Rússia teriam tentado se infiltrar em instituições acadêmicas e
intelectuais no Brasil, visando influenciar o pensamento e as decisões desses
setores.
· Caso da Guerra Fria: Durante
a Guerra Fria, o Brasil foi alvo de várias operações de espionagem e influencia
por parte da KGB e dos serviços de inteligência russos, principalmente devido a
sua importância geopolítica na América do Sul e no continente Americano, sendo
o mesmo o segundo País mais expressivo do continente.
Falamos sobre operações
ativas e de influência dos serviços de inteligência da KGB/STB, e referente às
operações de Espionagem, será que também possui casos? E a resposta é sim,
segundo relato de ex-agentes, documentos desclassificados e investigações
jornalísticas, abaixo serão apresentados alguns destes casos, lembrando estamos
falando apenas da atuação no Brasil:
· Operação Cobra:
Durante a Segunda Guerra Mundial, a KGB recrutou agentes no Brasil para
fornecer informações sobre movimentos políticos e militares na América do Sul.
A operação visava proteger interesses soviéticos na Região.
· Caso Tanque de Betão: Em
1967, um navio soviético interceptado pela Marinha do Brasil no Rio de Janeiro,
o navio soviético foi interceptado pela Marinha do Brasil no Rio de Janeiro.
Navio transportava um “tanque de Betão” que escondia equipamentos de espionagem
destinados à embaixada soviética em Brasília.
· Caso Yeda Crusius: Yeda
Crusius, ex-governadora do Rio Grande do Sul, foi alvo de espionagem por parte
da KGB. Documentos desclassificados revelaram que a agencia soviética a
considerava uma “inimiga da União Soviética”.
· Operação “Cachoeira”: Em
1986, agentes da KGB foram descobertos tentando recrutar brasileiros para
espionar em favor da URSS, operação foi desmantelada pelo setor de
contrainteligência ou contra espionagem da Policia Federal.
Conclusão
A análise dos arquivos da Státní bezpečnost (STB), o serviço de inteligência da antiga Tchecoslováquia, revela que o Brasil foi um dos alvos preferenciais da espionagem soviética durante a Guerra Fria. Mais do que espionagem tradicional, os documentos mostram o uso intensivo de operações ativas de desinformação, infiltrações em meios de comunicação e cooptação de agentes locais, estratégias articuladas em parceria com a KGB, o principal braço da inteligência da União Soviética.
Essas ações não tinham como objetivo apenas coletar informações confidenciais sobre o governo brasileiro e suas empresas estatais, mas influenciar diretamente a opinião pública e o debate político no país. A penetração em instituições chave demonstra que o Brasil era, para os soviéticos, uma peça geopolítica central na América Latina.
E isso nos leva à principal questão que esse levantamento levanta: por que tão pouco se fala sobre a presença da KGB e da STB no Brasil? Por que as estratégias de desinformação soviética e o uso da imprensa como instrumento de influência política ainda são temas ignorados na historiografia brasileira e nos meios acadêmicos?
A resposta talvez esteja no efeito de longo prazo dessas mesmas operações. Muitas das narrativas políticas que ainda circulam, seja em universidades, editoras ou documentários, podem ser heranças não questionadas de uma guerra de narrativas travada nas sombras da Guerra Fria. E talvez o maior risco atual seja acreditar que isso ficou no passado. Em tempos de guerra informacional, fake news e influência estrangeira via redes sociais, a ingenuidade política é um erro que um País com a história do Brasil não pode mais cometer.
Escrito por Gabriel Chagas.
Entusiasta por Geopolítica, Espionagem e Relações Internacionais. Autor do Blog "Mundo em
Conflito".
Siga - me no Instagram: https://www.instagram.com/gabriel.schagas
Referências:
· https://stbnobrasil.com/pt/category/artigos-em-portugues-pt
· Livro 1964 o Elo Perdido: O Brasil nos arquivos
do serviço secreto comunista
· Mauros Kraenski e Vladimír Petrilák
· Renor Filho
· O Brasil nos arquivos da STB – Cultura Animi
· Ustav pro studium totalitních režimu – ÚSTR - Estudo dos Regimes Totalitários
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