Desafios da Democracia: Fragmentação Social, Polarização e Financiamento Político.
As democracias são, em tese, a vontade da maioria populacional de um determinado País personificado em um cidadão (político) ou em um grupo de pessoas (partido político, movimentos sindicalistas e sociais). Este representante, em teoria, irá defender essas ideias e projetar as melhores mudanças para o País, pois, seriam as vontades da maioria. Porém, como as democracias irão lidar com sociedades extremamente fragmentadas em grupos e subgrupos, onde cada subgrupo possui voz e força para impulsionar narrativas por meio de mídias sociais e veículos de comunicação?
Para aprofundar ainda mais este debate, podemos utilizar como exemplo os países europeus, principalmente o lado ocidental e os Estados Unidos, estes Países convivem com o imenso fluxo de refugiados e imigrantes. Se a população nativa do País precisa conviver com diferentes ideias que resultam na polarização, a situação fica ainda mais complexa se adicionarmos estrangeiros em sistemas já comprometidos, importantes ressaltar que a pluralidade de ideias nunca será o problema, aliás, é a parte principal e mais pujante das democracias. Porém, a falta de filtragem sobre quais ideias são positivas para a nação como um todo, e não para um grupo especifico, é o verdadeiro problema, especialmente se essas ideias entrarem em conflito com a identidade e os interesses nacionais do País.
Se a democracia vontade da maioria, e a maioria não são nativas do País, podemos estar presenciando a mudança cultural de determinados países, principalmente na Europa: França, Alemanha, Espanha e Itália são os maiores exemplos práticos deste tema abordado no texto, pois são os países que mais recebem imigrantes.
Outro desafio da democracia é o financiamento de campanhas para as eleições. Se um candidato a presidente, primeiro ministro, chefe de estado, senador, deputado, congressista, enfim, independente da nomenclatura, recebe financiamento e doações econômicas para a sua campanha eleitoral, será que este político não ficará devendo favores e na obrigação de retribuir com cargos, contratos, licitações ou projetos suspeitos de lei? Há diversas possibilidades de retribuição. E se este financiamento vier de um setor especifico do empresariado, este setor terá benefícios e regalias? E se vier de um País estrangeiro através de uma operação clandestina ou uma operação encoberta onde a origem estaria dissimulada sendo de ONGS e Instituições Internacionais, o País estaria à mercê de influência estrangeira em suas políticas domesticas?
O que são operações encobertas ou Clandestinas ? Utilizadas por governos e organizações para tentar influenciar o curso do conflito, da situação, ou obter algum tipo de vantagem por meio da manipulação de aspectos econômicos, sociais e políticos em uma direção favorável para quem promove a operação com mais ou menos possibilidade de negar a autoria. Podem envolver operações de propaganda, influência e até operações diretas de combate.
Importante ressaltar que a democracia ainda é a melhor forma de governo encontrada pela a humanidade, porém, a sociedade descobriu uma forma de utilizar a democracia como arma para derrubar a própria democracia, e este é o grande desafio: adequar à polaridade cultural e grupos de pessoas tão heterogêneos em uma única nação, que acabam se informando através de bolhas informacionais. Isso resulta em um conceito muito bem descrito no livro de Andrew Korybko, “Guerras Híbridas – das Revoluções aos Golpes” - chamado de mente de colmeia, influenciada ou não por inteligência estrangeira, mas na maioria das vezes, no mínimo acompanhado por inteligência estrangeira.
Mas o que é a mente de colmeia ? São “massas insurgindo contra os centros simbólicos e administrativos de poder das autoridades como um enxame unificado (se descentralizado) a fim de provocar a troca de regime pela lei da aglomeração (isto é, caos organizado e dirigido influenciado por agentes e serviços externos .”
A intenção deste texto não é fornecer soluções definitivas ou respostas conclusivas, mas sim incentivar o questionamento crítico e promover uma reflexão profunda sobre os desafios que as democracias enfrentam no cenário atual. Por meio da exploração destes tópicos, espera-se estimular o diálogo enriquecedor que contribua para uma compreensão mais ampla, e, possivelmente, para abordagens mais inovadoras na maneira como percebemos e vivenciamos a política em nossas sociedades.
Escrito por: Gabriel Chagas.
Entusiasta por Geopolítica, Espionagem, Relações Internacionais e Autor do Blog Mundo em Conflito.
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Referências:
- Texto produzido e construído por Gabriel Chagas, algumas citações retiradas do livro de Andrew Korybko, “Guerras Híbridas – das Revoluções aos Golpes”
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