Como CIA e FBI Falharam em Evitar o 11/09: A Maior Derrota da Inteligência Americana


Em uma análise detalhada sobre as falhas críticas nos serviços de inteligência dos Estados Unidos antes dos ataques de 11 de setembro de 2001, observamos como a falta de comunicação entre a CIA e o FBI resultou em informações fragmentadas e, eventualmente, em uma tragédia histórica. A falha em compartilhar informações sobre os sequestradores, como Khalid al-Mihdhar e Nawaf al-Hazmi, é um exemplo claro de como erros de coordenação e procedimentos inadequados podem comprometer a segurança nacional. Este artigo explora os principais pontos dessas falhas, incluindo a reunião de Kuala Lumpur de 2000, onde planejadores - chaves da Al-Qaeda discutiram os atentados, e como essa janela de oportunidade foi perdida.
Descubra como a falta de compartilhamento de informações entre agências de inteligência afetou diretamente a prevenção dos ataques de 9/11 e o que isso revela sobre a complexidade da inteligência global. Continue lendo para entender como a ausência de uma comunicação eficiente pode comprometer operações de segurança e, por fim, a própria segurança de um país.
Para falar das falhas dos serviços de inteligência e de segurança dos Norte Americanos no ataque de 11 de setembro utilizaremos uma metáfora:
Imaginem duas pessoas colocadas em uma mesma sala, e essas pessoas recebem duas caixas nomeadas da seguinte maneira: destino pessoa 1 , destino pessoa 2. Ao abrir as caixas, ambas receberam um jogo de quebra-cabeça, de maneira individual pegaram suas peças e começaram a montar o jogo, notaram a dificuldade e a maneira complexa que o jogo se desenvolveu para a execução e a finalização, peças demoram a se encaixar, algumas se perdem no processo, então o quebra-cabeça é reiniciado, até que chegou o momento em que ambos completam os seus jogos, porém, ocorreu um problema: o quebra-cabeça das duas pessoas permaneceram incompletos, e surge um sinal sonoro com os dizeres: “JOGO ENCERRADO”.
Nesta metáfora, as peças simbolizam as informações e o quebra-cabeça as linhas investigatórias de cada agência, sendo o FBI e a CIA representados pela pessoa 1 e a pessoa 2. A frase “duas pessoas com quebra–cabeça incompleto” representa as duas agências (CIA e FBI) com informações fragmentadas.
Qual a relação dessa metáfora com o 11 de setembro de 2001? A CIA e o FBI estavam investigando a possibilidade da realização de ataque terrorista com os EUA como alvo, porém, em linhas investigatórias distintas, e nenhuma cooperação e compartilhamento de informações, a metáfora do sinal do “jogo encerrado” infelizmente é o fatídico dia da concretização do ataque.
Reunião de Kuala Lumpur, entre os dias 5 e 8 de janeiro em 2000, considerada por muitos analistas o ponto crucial. Nesses dias ocorreram a reunião dos sequestradores dos aviões do 11 de setembro.
Para ter uma ideia da gravidade da janela de oportunidade perdida pelos Americanos, a reunião foi monitorada pela Inteligência da Malásia, que compartilhou informações com a CIA, no entanto, a ligação direta com os ataques do 11/9 só foi confirmada posteriormente. Nesta reunião foram discutidos planos e detalhes operacionais para futuros ataques terroristas, entre eles, os próprios atentados do dia 11 de setembro de 2001.
A reunião de Kuala Lumpur contou com a participação de 10 a 12 membros da Al-Qaeda, com a presença de membros chaves: 
 
·    Khalid AL Midhar

 

9/11 Commission Report

 

·       Nawaf AL – Hazma

 

FBI - http://www.fbi.gov/pressrel/penttb 1
  
·       Tawfiq Bin Attash (Khallad)

 

Bin Attash.jpg (pe)

· Ramzi Bin AL-Shibh (um dos coordenadores dos ataques de 11 de setembro).

 

Ramzi Bin AL-Shibh, one of the men accused of plotting the Sept. 11 attacks, at Guantánamo Bay in 2019, in an image provided by his defense team.


 

A falta de comunicação critica entre a Agência Central de Inteligência (CIA) e o Departamento Federal de Investigação (FBI) antes dos ataques do 11/09 envolveram varias falhas e omissões e para facilitar apresentarei tópicos dos principais pontos sobre quem deixou de avisar o que:
 
 AGÊNCIA CENTRAL DE INTELIGÊNCIA (CIA):

 

· CIA sabia que Khalid AL – Mihdhar e Nawar Al – Hazmi participaram da reunião de Kuala Lumpur em janeiro de 2000.

· A CIA também sabia que Al Mihdhlar e Al – Hazmi haviam obtido vistos para os Estados Unidos da América.

· Apesar dessa informação, a CIA não alertou imediatamente o FBI, sobre os dois indivíduos. A informação foi compartilhada de maneira limitada e com atraso, o que impediu o FBI de agir rapidamente para rastrear os suspeitos.

 

 DEPARTAMENTO DE INVESTIGAÇÃO FEDERAL (FBI):

 

· Recepção Tardia da informação:

- Quando a CIA finalmente compartilhou informação sobre Al – Midhar e Al Hazmi com o FBI, a reunião já tinha ocorrido.

- Após receber a informação, ocorreram falhas internas para disseminar adequadamente os detalhes sobre os dois suspeitos e tomar medidas preventivas, sendo a informação compartilhada de maneira fragmentada e não chegando aos agentes de campo do FBI que poderiam ter agido para localizar e monitorar os dois terroristas já em solo Estadunidense.

- Cultura organizacional e questões jurisdição exacerbaram as falhas de comunicação.

 
 IMPACTOS DESTAS FALHAS:
 
Permissão de Entrada: Al Midhar e Al – Hazmi entraram nos Estados Unidos e viveram no País durante meses antes dos ataques no dia 11 de setembro, sem serem detectados pelas autoridades americanas.
 
 PREVENÇÃO DOS ATAQUES:

A Comissão 11 de Setembro concluiu que se a informação tivesse sido compartilhada e as agências, departamentos tivessem agido de maneira adequada, os ataques poderiam ter sido prevenidos ou mitigados.

 Conclusão:

A falha principal foi da CIA por não ter compartilhado prontamente e completamente a informação crítica sobre os sequestradores Al – Midhar e Al – Hazmi com o FBI. Quando a informação foi finalmente compartilhada a sua disseminação não foi realizada de maneira adequada para dentro do FBI, resultando em uma oportunidade perdida de rastrear e impedir os movimentos dos dois terroristas antes dos ataques 11 de setembro.

 Dificuldade de Trabalhar em tempo Real:

A situação envolvendo a falta de comunicação entre a CIA e o FBI  antes dos ataques de 11 de setembro de 2001 ressaltam a dificuldade extrema de trabalhar contra o tempo com um volume enorme de informações fragmentadas.

As agências de inteligência enfrentam o desafio continuo de processar, analisar e compartilhar dados rapidamente para prevenir ameaças iminentes. A velocidade com que as informações devem ser tratadas aumenta a possibilidade de erros e omissões especialmente quando as informações estão fragmentadas e distribuídas entre diversas agências e departamentos. Este caso sublinha a necessidade critica de uma cooperação mais estreita e com sistemas de comunicação mais eficientes para garantir que informações vitais sejam transmitidas e agidas em tempo real, minimizando a probabilidade de falhas de segurança.
 

Escrito por Gabriel Chagas.

 Entusiasta por Geopolítica, Espionagem e Relações Internacionais. Autor do Blog "Mundo em Conflito". 

Siga - me no Instagram: https://www.instagram.com/gabriel.schagas

 

Fontes:

·        Relatório da Comissão do 11 de setembro de 2001

·        Livro: “The Looming Tower: Al – Qaeda and the Road to 9/11” por Lawrence WRIGHT

·        “THE 9/11 Commission Report: Final Report of the National comission on terrorist attacks upon the United States” Por National commission on Terrorist attacks.

 

Artigos e reportagens:

 

·     The New York Times e The Washington: Reunião de Kuala Lumpur e as investigações subseqüentes.

·     Artigo do Washington Post: “The Road to 9/11: The Malaysia Meeting”

·     Artigo do “New York Times: “The Hijackers” New Homes: Tracking the Seeds of Terror”

 

Documentário:

 

·     Documentário “Inside 9/11” National Geographic.

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