À Beira De Um Conflito: O aumento da Tensão entre Israel e Hezbollah.

 

Introdução do Conflito

 

Para falarmos do conflito envolvendo Israel e Hezbollah e principalmente do aumento das tensões que poderá resultar em uma guerra de alta intensidade no Líbano, poderíamos voltar no tempo e citar eventos passados, entretanto, neste texto iremos focar em eventos recentes que poderão resultar no que chamamos de efeito dominó no Oriente Médio.

 

O Papel do Hezbollah após os Ataques do Hamas

 

No dia 08 de outubro de 2023, um dia após os ataques do Hamas no Sul de Israel, o Hezbollah iniciou uma segunda frente de batalha ao norte, fazendo com que as forças de Defesa de Israel (FDI) dividissem suas atenções, um dos desejos do Hezbollah é que Israel respondesse esses ataques. Como consequência, Israel, primeiramente focou como objetivo primário a expulsão do Hamas da faixa de Gaza e paralelamente a destruição total do grupo, principalmente de suas lideranças, onde quer que elas estejam, desta forma, fazendo jus ao lema do Serviço Secreto de Israel “Ninguém jamais escapa dos braços longos da justiça de Israel”, frase que remete as operações de assassinato seletivo, principalmente do Mossad.

O assassinato seletivo refere-se a uma prática em que um indivíduo ou grupo é deliberadamente alvo de um ataque fatal, geralmente por motivos políticos, militares ou de segurança. Essa estratégia é frequentemente utilizada por governos, organizações militares ou paramilitares para eliminar alvos considerados ameaças ou inimigos, como líderes insurgentes, terroristas ou figuras proeminentes em movimentos opositores.

O político libanês Hassan Nasrallah atual Secretario Geral do Partido e da Organização xiita do Hezbollah, expressou apoio as ações do Hamas e descreveu Yahya Sinwar como: “Um grande e corajoso líder”. Yahia Sinwar ex-número dois na hierarquia e após a operação que resultou no assassinato de Ismail Haniyeh, se tornou o atual chefe de

Gabinete político do Hamas, nomeação realizada no dia 06 de agosto de 2024.

 

Hassan Nasrallah – Wikipédia

 

Yahya Sinwar – UOL

 

Respostas Militares de Israel

 

As agressões eram limitadas, mas no decorrer do tempo foram se expandindo para toda a chamada “linha azul” que são as faixas de fronteira que demarcam o limite fronteiriço entre Israel e o Líbano.

 

A Linha Azul abrange a fronteira libanês-israelense; uma extensão abrange a fronteira libanesa-Colinas de Golã. – fonte: Wikipédia

 

Em um determinado momento as Forças de Defesa de Israel começaram a executar ataques a alvos compensadores no interior do território Libanês, principalmente em fábricas de munições e centros de treinamento do Hezbollah, ataques a altas lideranças, sendo um desses ataques assassinando Saleh Al – Arouri um dos líderes do Hamas e fundador do Braço armado do grupo, as brigadas Izz Ad – Din Al – Qassam. A operação que eliminou Saleh Al – Arouri ocorreu no subúrbio ao Sul da capital de Beirute, no distrito de Dar El Mreisse, enclave de uma região totalmente controlada e influenciada pelo Hezbollah, o grupo libanês respondeu atacando a base área de Meron em Israel com uma intensidade de 62 mísseis.

 

Saleh AL-Arouri durante uma breve cerimônia no complexo de inteligência egípcio no Cairo, Egito, em 12 de outubro de 2017. Fonte: (AP/Nariman El-Mofty)

 

Escalada de Conflitos e Retaliações

 

Nas semanas que se seguiram, os confrontos envolvendo Hezbollah e Israel continuou, as FDI (forças de defesa de Israel) eliminaram Wissam AL-Tawil, vice comandante da força de Elite do Hezbollah, a Radwan, e eliminaram o chefe da unidade de mísseis e foguetes do Hezbollah, Ali Abdel–Hassan Naim e Ali Hussein Barji, o comandante responsável por ataques de drones em Israel, este último foi morto em um ataque em Khirbet Selm, Israel também realizou eliminou o comandante Sênior do Hezbollah Ali Muhammad Al – Debs, este que foi o cérebro por trás de um dos ataques ocorridos em território Israelense em marco de 2023.

 

Wissam AL-Tawil, ex-vice comandante da força de Elite do Hezbollah, a Radwan, morto por um ataque de drone israelense contra seu carro no sul do Líbano, disse uma fonte de segurança libanesa à CNN – fonte Reuters.

 

 

Ali Abdel Hassan Naim, líder do Hezbollah - comandante responsável por ataques de drones em Israel – fonte: Le matin D`algerie

 

 

Ali Hussein Barji comandante responsável por ataques de drones em Israel, morto em um ataque em Khirbet Selm – Fonte: Gazeta Brasil

 

A resposta do Hezbollah ocorreu através de ataques ao centro de comando em Safed e em bases das forças de defesa de Israel nas Colinas de Golã, Israel então destruiu armazéns e fábricas de armas, atingindo Zahle Baalbek e o aeroporto de Birket Jaboour. Nos últimos oito meses o grupo libanês disparou cerca de cinco mil foguetes, incluindo foguetes de curto alcance, mísseis, artilharia, drone e inúmeros outros artefatos explosivos.

Ao mesmo tempo a guerra psicológica envolvendo Hezbollah e Israel permanece de maneira continua e crescente, onde ambos testam o quanto de dano pode levar ao seu inimigo, como por exemplo: Em junho de 2024, o ex-chefe do Mossad, Serviço Secreto de Israel, disse: “Sabemos a localização exata do Secretario geral da Organização Terrorista (Hassan Nasrallah), e podemos eliminar a qualquer momento”. Posteriormente a esta fala, no dia 18 de junho do mesmo ano, o Hezbollah divulgou o vídeo em suas redes e mídias digitais de um drone sobrevoando um dos alvos estratégicos de Israel, o porto de Haifa.

 

Haifa: location - Fonte: site Britannica. Porto no Mar Mediterrâneo, próximo do Líbano. 

 

No dia 18 de junho de 2024, Israel divulgou que o seu alto comando aprovou o plano de uma operação ofensiva no Líbano, como resposta, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, informou que: Se Israel atacar, o grupo responderia com um ataque de força total e que o conflito seria sem regras, ameaçando inclusive o Chipre, País próximo da área conflituosa, caso seus aeroportos fossem usados para atacar o território Libanês, o episódio mais recente da escalada do conflito até a realização deste texto, foi o ataque do dia 03 de agosto de 2024, onde o alvo foi um campo de futebol nas Colinas de Golã, o ataque mortal que vitimou 12 pessoas, dentre elas, 10 eram crianças, aumentando à ira de Israelenses e o desejo de vingança. Apesar de todas as evidências encontradas, o Hezbollah negou a sua participação no ataque.

No decorrer do período dos eventos citados anteriormente entre membros do grupo, lideranças, soldados, mais de 400 pessoas ligadas de alguma forma com o Hezbollah foram assassinadas por operações conduzidas por Israel, segundo a Reuters e o pesquisador e analista Hubert Walas, somente em 07 de julho de 2024, 35 pessoas ligadas ao grupo foram mortas.

 

Impactos na População e Opinião Pública

 

A intensa troca de tiros com o grupo Hezbollah gerou uma crise de deslocados em Israel, estimasse que mais de 70 mil pessoas deixasse suas casas, pois residiam na fronteira com o Líbano.

O Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu em um vídeo gravado no dia 05 de junho de 2024, informou que as Forças de defesa de Israel estavam prontas para uma ação militar forte no Norte para restaurar a segurança de uma forma ou de outra.

A ala das pessoas que consideram que Israel deveria lidar com o Hezbollah através de uma guerra tradicional são altas e compartilhadas pela maioria da população. De acordo com pesquisa do People Policy Institute, de 62% dos Judeus e Israelenses, 75% das pessoas entrevistadas apoiam atacar o Hezbollah com força total, 57% acreditam que a ofensiva deve começar imediatamente, há muitas lideranças influentes em Israel que desejam e apoiam o ataque.

 

O Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu – fonte: Wikipédia.


Benny Gantz, ex-chefe do gabinete da forças de defesa de Israel realizou a seguinte declaração: “Podemos mergulhar o Líbano na escuridão e desmantelar o poder do Hezbollah em dias”.

Importante ressaltar, essa frase dita por Benny Gantz é apenas um dos exemplos, existem muitas frases neste mesmo tom por representantes Israelenses, por este motivo há um grande problema que não pode ser subestimado e muito menos ignorado: O poderio militar e financeiro do Hezbollah, com números estimados de aproximadamente 100 mil combatentes, como título de curiosidade e comparação, o Hamas possui em torno de 3 mil combatentes.

 

Benny Gantz

 

Poderio Militar e Financeiro do Hezbollah.

 

Geograficamente o Hamas foi isolado do mundo, pois seus combatentes estão concentrados em Gaza, mais necessariamente na faixa de Gaza, diferentemente do Hezbollah, por mais que esteja concentrado no Líbano, o território possui uma profundidade territorial e inúmeras rotas de fuga, impossibilitando, por exemplo, uma operação de cerco e principalmente a dificuldade de interromper o apoio logístico pelas rotas que levam até o Líbano.

O número de mísseis do Hezbollah varia de acordo com a fonte, mas para se ter uma ideia, um representante das forças QUDS do Irã, Força QUDS é uma unidade especial do Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica do Irã, este representante estima que o Hezbollah tenha aproximadamente um milhão de mísseis dos mais variados tipos, segundo o Forum Police se acrescenta em seu arsenal armas de precisão, artilharia de foguetes e armas antitanque, o numero varia conforme as fontes, por exemplo, o CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais) coloca o arsenal aproximadamente entre 120 e 200 mil mísseis, independente do número exato, estamos falando de 4 a 8 vezes mais de mísseis que o Hamas tinha a sua disposição quando realizou o ataque a Israel.

Por mais que o grupo tenha suas próprias capacidades, a grande maioria da lista dos armamentos citados foram fornecidos pelo Irã, com destaque para os mísseis balísticos de precisão com fabricação Iraniana, o FATEH 110, este armamento é composto por uma carga útil de 500kg de explosivos, estima que o Hezbollah tenha um estoque com 400 unidades deste míssil, o alcance possui 300km, ou seja, as principais cidade de Israel, incluindo a capital Tel Aviv, Jerusalém e Ramallah estariam na zona de ataque destes mísseis.

 

Foto liberada pelo ministério de Defesa iraniano mostra o que teria sido o lançamento do Fateh-110 (Foto: AP)
Foto liberada pelo ministério de Defesa iraniano mostra lançamento de versão anterior do Fateh-110, em 2010 (Foto: AP)

 

Suspeita-se que o Hezbollah tenha os mísseis SCUDS de quase 1 tonelada, com alcance de até 500 km, dependendo das variantes, base de lançamento, condições meteorológicas cobriria e teria condições atingir todo o País de Israel, lembrando, Israel possui sistemas antiaéreos avançados, com ênfase para o Iron Dome (domo de ferro) e outros interceptadores desenvolvidos em cooperação com os Estados Unidos.

Tendo em vista essa situação, podemos supor o seguinte cenário, se ocorrer um ataque Israelense ao Líbano, o Hezbollah provavelmente tentaria sobrecarregar os sistemas de defesa Israelenses, enviando mísseis sem precisão, ao mesmo tempo que mandaria FATEH 110, um míssil com precisão para atingir um alvo estratégico e de valor compensatório.

Por mais que Israel tenha sistemas antimísseis impressionantes como o citado no parágrafo anterior, o Iron Dome, a saturação dos sistemas iriam fazer com que alguns dos mísseis atingissem o território Israelense, essa situação foi presenciada no dia 19 de julho de 2024, quando um drone viajou mais de 800 km no interior de Israel e atingiu a capital, Tel Aviv, vitimizando 1 pessoa e ferindo outras 12 pessoas, o questionamento que ficou, como o drone penetrou nos Sistemas de defesa Israelenses ? 

Relatório da Universidade Reichmann, citado pelo The Economist, site de publicação inglesa de noticias e assuntos internacionais e de autoria de mais de 6 especialistas israelenses, indica que o Hezbollah pode realizar tranquilamente o disparo entre 2.500 há 3.000 foguetes por dia, o que se concretizariam no maior ataque de foguetes da história mundial.

 

Envolvimento de outros atores no conflito

 

As forças de defesa de Israel contam com o apoio da Marinha dos Estados Unidos realizando o patrulhamento da região para auxiliar, entretanto, no caso de um conflito, os navios terão que estar em alerta, tendo em vista que o Hezbollah possui um míssil anti navio, sendo este míssil já sido utilizado contra um navio Israelense em 2006 na segunda Guerra do Líbano.

A Marinha dos Estados Unidos poderia interceptar contra mísseis de médio e longo alcance, os mísseis de curto alcance realizam uma trajetória em baixa altitude, fazendo com que a marinha norte-americana não consiga derrubar e nem interceptar, e para agravar, este são os mísseis que o Hezbollah mais possuem em seus arsenais.

Mesmo sendo um grupo armado não estatal, o Hezbollah também possui sistemas e capacidades anti aéreos Iranianos e Russos a sua disposição, sistema esses que estão sendo utilizados na guerra na Ucrânia, então podemos concluir que em caso de guerra, as forças de defesa de Israel não terão a supremacia aérea, supremacia essa que desfrutam em Gaza contra o Hamas, pelo menos nas fases iniciais do conflito contra o Hezbollah.

Nas guerras da nova geração há dois tipos de vitória, as vitórias no nível tático/militar e as do nível estratégico/político, pela imensa diferença no poderio militar e provavelmente com um número elevado de baixas, Israel venceria a guerra no nível militar, entretanto, a abertura de mais um front de batalha e o início de uma nova guerra na região do Oriente Médio beneficiária o rival estratégico de Israel na região, a República Islâmica do Irã, pois no caso de uma guerra na região, com certeza o Irã ativaria suas proxies (procuração), ou seja, grupos de milícias e insurgências que agiriam sob seu comando, coordenação e o seu interesse, segundo alguns analistas de Israel, neste quesito, os grupos de procuração teriam a missão de abrir varias frentes de combate ao redor de Israel, fazendo com que Israel esteja engajado em vários conflitos em localizações diferentes para sobrepor o poderio militar superior de Israel perante ao Irã, por mais que o Irã não entrasse na guerra diretamente, o Irã estaria treinando os insurgentes e seus grupos de milícia, conhecidos como o Eixo da resistência, são eles: o Hamas, o próprio Hezbollah, Houthis no Iêmen, os grupos xiitas ligados ao Irã no Iraque e as forças do governo da Síria e milícias Sírias apoiadas pelo Irã na região.

Onde seriam os conflitos e distrações para sobrecarregar Israel ? Provavelmente na Síria, Iraque e Cisjordânia. 

Alguns especialistas defendem que Israel deveria atacar e eliminar "o cérebro" que coordena, ao invés de atacar "partes deste corpo controlado", na metáfora, o cérebro são membros do alto escalão do governo Iraniano, com ênfase para o aiatolá e líder supremo Ali Khamenei, utilizando a chantagem como arma convencimento, como por exemplo ameaçar a sobrevivência do regime dos aiatolás, ameaçar a principal fonte de renda do Pais que é o complexo de combustível Iraniano caso o Hezbollah não interrompa seus ataques contra Israel, essa linha de raciocínio é do Yonatan Steinberg, foi um oficial das Forças de Defesa de Israel com posto de coronel, morto no dia 07 de outubro de 2023 aos 42 anos por consequência de um ataque liderado pelo Hamas em Israel.

 

Image: Ayatollah Ali Khamenei
O líder supremo aiatolá Ali Khamenei encontra-se com estudantes em Teerã nesta foto divulgada por seu escritório na sexta-feira.Gabinete do Líder Supremo Iraniana / AP


Col. Jonathan Steinberg, the commander of the Nahal Brigade who was killed on October 7, 2023, in an undated photo (Israel Defense Forces)
 Coronel. Jonathan Steinberg, o comandante da Brigada Nahal que foi morto em 7 de outubro de 2023, em uma foto sem data (Forças de Defesa de Israel)


O problema desta abordagem é a escalada do conflito, sairíamos de um conflito concentrado no Líbano e Israel para uma guerra que envolveria todo o Oriente Médio e atores globais como os EUA, Rússia, China e Irã.

Se referindo a estrutura ideológica e religiosa, o Hezbollah deve se opor a Israel, pelo seguinte motivo, na sua visão o Estado de Israel e seus seguidores violam o Islã e seus seguidores, mas ao mesmo tempo a resposta precisa ser coordenada com o governo de Teerã (Irã) para evitar uma consequência catastrófica para o eixo da resistência, que seria a queda do regime de Teerã, regime este que os sustentam. 

Na visão dos Estados Unidos, mais uma guerra no Oriente Médio seria uma catástrofe para um País que esta envolvido em uma guerra na Europa e uma guerra comercial e indireta com a China.

Neste momento podemos analisar e perceber a fragilidade da influência Americana na região e como governo Biden se tornou refém da situação, ao mesmo tempo que pede uma negociação, cessar fogo e paz, mobilizou sua estrutura de guerra e financiamento para apoiar incondicionalmente Israel neste conflito, Benjamin Netanyahu sabe que se a situação desencadear para uma guerra, Israel terá apoio de Washington e este é um dos motivos para que esta guerra realmente aconteça.

No campo diplomático os Estados Unidos enviou um negociador para tentar a resolução do conflito, sua estratégica era pressionar o Hezbollah a aceitar um acordo de cessar-fogo, o negociador é Amos Hochstein, assistente Adjunto do presidente e conselheiro Sênior de Energia e Investimento, assumiu o cargo em 2022 na administração Biden, o acordo de paz realizado por mediadores teve a seguinte citação: " As tentativas de Paz com auxílio de intermediário americanos e franceses continuam e se baseiam na retirada de militantes das fronteiras e principalmente da capacidades militares do Hezbollah até 6 milhas da fronteira, presença maior das forças armadas Libanesas e da força interina da Nações Unida no Líbano, UNIFIL, força de Paz presente na fronteira juntamente com garantia e vigilância da França e dos EUA".

 

Hochstein
 Amos Hochstein, assistente Adjunto do presidente e conselheiro Sênior de Energia e Investimento. fonte: U.S Department Of State.

 

 

Caminhos para o Conflito: A Dinâmica entre Israel e Hezbollah

 

Segunda Lina Khatib do Chatam House tentou encontrar algo positivo neste caos, sugerindo a seguinte situação: "A atual escalada verbal e psicológica pode ser uma maneira de substituir a guerra cinética (total), pois nenhum dos dois lados esta realmente interessado em uma guerra, mas ambos precisam se mostrar fortes e durões". Nesta ideia o Hezbollah com a intenção de sinalizar e demonstrar força para o mundo Muçulmano e Netanyahu e seu gabinete para os Israelenses, lembrando que Israel realizou confrontos no Líbano em 1978, 1982, 1993, 1996 e 2006.

O confronto de 1982 foi sangrento, ocasionando em uma ocupação de 20 anos e contribuindo para o desenvolvimento de Hezbollah. Em 2006 podemos considerar que a invasão no nível tático/militar foi um sucesso para Israel, mas no nível estratégico/político foi um fracasso. 

O Hezbollah de 2024 é em quantidade estrutural mais desenvolvido, melhor organizado, armado, experiente e politicamente mais estruturado e forte do que em 2006.

Será que a guerra de 2024 ou 2025 será outra vitória de Pirro para Netanyahu ? A expressão "vitória de Pirro" refere-se a uma vitória que traz custos tão altos que quase igualam ou superam os benefícios obtidos, como ocorreu com o rei Pirro de Épiro após suas batalhas contra os romanos. Essa expressão se aplica à situação atual, onde uma possível guerra poderia resultar em perdas significativas para Israel, tornando a vitória questionável.

Através desta análise e a contextualização dos acontecimentos podemos verificar que estamos se encaminhando para uma guerra, mas e você, acredita que a guerra irá acontecer ou as partes envolvidas chegarão a um acordo ? 


Escrito por: Gabriel Chagas.

 Entusiasta por Geopolítica, Espionagem, Relações Internacionais e Autor do Blog Mundo em Conflito.  

 

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Referências:
 
Hubert Walas
Lina Khatib - Chatam House
The Economist
Universidade Reichmman
CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais)
Citação de membros chaves envolvidos no conflito.
Perf - Police Executive Research Forum



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