A busca por Osama Bin
Laden foi uma das mais intensas e dramáticas operações de inteligência da
história moderna, simbolizando não apenas a luta contra o terrorismo, mas
também a complexidade das relações internacionais e da guerra secreta no início
do século XXI. Em 2001, os atentados de 11 de setembro, orquestrados pela
Al-Qaeda, abalaram o mundo e desencadearam uma série de respostas militares e
diplomáticas, sendo a caçada a Bin Laden um dos maiores focos de prioridade para
os Estados Unidos. No entanto, a trajetória até a captura do líder terrorista
envolveu décadas de complexas operações de espionagem, falhas de comunicação,
alianças improváveis e desafios logísticos imensos.
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(FOTO: Hubert Boesl/DPA/AFP e AFP)
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A figura de Osama Bin
Laden era vista como um símbolo de resistência islâmica radical, mas também
como uma ameaça crescente à segurança global. Suas ações, como os ataques às
embaixadas dos EUA na Tanzânia e no Quênia, o atentado contra o USS Cole no Iêmen, e os atentados de 11 de setembro, consolidaram sua posição como um dos
inimigos mais procurados do mundo. A sua localização, no entanto, continuou a
ser um mistério durante anos, apesar dos esforços incansáveis da CIA e outras
agências de inteligência.
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| Atentado contra a embaixada em Nairóbi (Quênia) deixou 218 mortos. Fonte: AFP. |
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| imagem fornecida pelos EUA. Marinha mostra os danos sofridos pelo USS Cole após o atentado suicida em outubro. 12, 2000.U.s. Arquivo da Marinha / AP |
Este texto se propõe a
explorar os detalhes dessa caça implacável, que envolveu desde falhas iniciais
de inteligência, passando pela colaboração com aliados e até o momento decisivo
da operação militar que resultou em sua morte em 2011, em uma operação secreta
em Abbottabad, no Paquistão. A jornada para capturar Osama Bin Laden não foi
apenas uma missão militar, mas também um jogo de xadrez geopolítico, com
implicações para a segurança global, a diplomacia internacional e a imagem dos
EUA no cenário mundial.
A parceria entre os Estados
Unidos e a Arábia Saudita indignou Osama Bin Laden. Ele não queria que soldados
americanos estivessem presentes na terra santa do Islã, ou seja, na Arábia
Saudita, mais especificamente em Meca, a capital do Islã. Osama Bin Laden estava
envolvido com movimentos extremistas desde 1988, quando formou o grupo Al –
Qaeda, cujo nome significa “A base”.
Mas foi no Sudão que ele
começou a planejar uma luta contra os EUA, como consequência da ameaça que,
segundo ele, os EUA apresentavam para o mundo Islâmico. Em 1996 e 1998, ele publicou
duas Fatwas (comunicados e decretos Islâmicos). Nessas Fatwas Osama Bin Laden
decretou guerra aos EUA, no primeiro ele exigiu a retirada dos Americanos do
solo sagrado da Arábia Saudita e no segundo ele autorizou o assassinato de
americanos e Judeus em qualquer lugar do mundo. Mas em 1996 o Sudão expulsou
Bin Laden do País e ele buscou abrigo no País que ele auxiliou a defender nas
décadas de 80, o Afeganistão. Osama Bin Laden foi muito bem recebido pelo
Talibã, grupo extremista fundamentalista que estava governando o País, este
grupo só foi retirado do poder através de uma coalizão militar liderada pelos
EUA em 2001.
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Este documento é uma declaração de guerra emitida por Osama Bin Laden e
pela Al-Qaeda contra os Estados Unidos e o regime da Arábia Saudita. Fonte: Combating Terrorism Center at West Point |
Em agosto de 1998, Bin
Laden articulou dois ataques terroristas simultâneos nas embaixadas americanas
no Quênia e na Tanzânia. 224 pessoas morreram e 5 mil ficaram feridas. Em
outubro de 2000, 17 militares da Marinha Americana morreram depois de um ataque
ao navio americano que estava atracado no Iêmen. Durante esse período, Osama
Bin Laden já estava na lista de procurados do FBI, com inclusive algumas
pessoas de dentro da CIA (Agência Central de Inteligência Americana), dizendo
que a prioridade deveria ser a eliminação desse indivíduo. Entretanto,
analistas e oficiais que viveram na época da Guerra Fria não consideravam Osama
Bin Laden uma ameaça.
Após os ataques de 11 de
Setembro de 2001, vazou informação de que a CIA sabia dos planos. Porém, por
consequência de um erro de comunicação entre CIA e FBI, os EUA não conseguiram
impedir o plano (para saber mais sobre quais foram esses erros, há um texto no
blog, especificamente sobre este assunto). Após o ataque Osama Bin Laden logo
assumiu a autoria dos atentados, e o governo Americano na época a administração
de George W. Bush intimou o Talibã, grupo que controla o Afeganistão. Entretanto, o grupo fundamentalista se recusou
a entregá-lo, e os EUA então lideraram uma coalizão para realizar essa ação a
força. No inicio dos combates, as tropas americanas estavam motivadas e letais,
e em poucos dias de combate massacraram os Talibãs, dominando regiões que antes
estavam sob controle da Al Qaeda.
A Inteligência Americana desconfiava
que Bin Laden estivesse em uma região Montanhosa do Afeganistão, perto da
fronteira do Paquistão chamada de Tora Bora. Então começaram a monitorar
mensagens de rádio e através do que chamamos de SIGNT (Inteligência de Sinais),
conseguiram captar uma mensagem do próprio Osama Bin Laden, e viram que ele estava
há apenas 5 km de distância das tropas Americanas. A operação precisava ser
rápida, pois os americanos precisavam capturar Bin Laden, vivo ou morto, antes
que ele cruzasse a fronteira para o Paquistão, pois a região era fronteiriça.
No entanto, perceberam que mais de 900 combatentes e membros da Al Qaeda
estavam lá dispostos a guerrear e se sacrificar por Osama Bin Laden. Por não
terem militares suficientes no momento para realizar uma operação de cerco e
captura, foram autorizados bombardeios e ataques aéreos na região de Tora Bora.
Segundo fontes envolvidas na operação, os militares estavam há 1,5 km de Bin
Laden, mas as coisas começaram a dar errado.
Além de tropas americanas, havia militares/colaboradores
afegãos que foram contratados para auxiliar os americanos, principalmente para
percorrer e fornecer informações sobre a geografia e a disposição do terreno, que
era complexo. Porém, esses militares/colaboradores se recusaram a atacar e operar
à noite, fazendo com que a Al Qaeda tivesse tempo para se reorganizar, o que
acabou resultando na fuga de Bin Laden. A batalha de Tora Bora duraram entre os dias 12 e 17 de Dezembro de 2001, e até hoje é uma das mais
famosas batalhas do Afeganistão e terminou com o fracasso Americano na missão,
e por consequência na fuga de Osama Bin Laden.
Foram anos sem pistas
significativas do paradeiro de Bin Laden. Embora de vez em quando aparecessem vídeos,
nada que indicava a sua localização. Nem mesmo pessoas próximas ao círculo de
Bin Laden sabiam onde ele estava, mas alguém precisava saber, e esse alguém era
o médico Jordaniano Humam Al - Balawi, que se tornou informante da CIA. Humam
Al - Balawi chegou a enviar e mostrar vídeos dele encontrando membros do alto
escalão da Al Qaeda, e a CIA percebeu que ele poderia ser a chave para colocá-los
novamente na rota de Osama Bin Laden.
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Humam Khalil Abu-Mulal al-Balawi em uma mensagem de vídeo póstuma poste
poste em sites extremistas. O agente duplo da Al-Qaeda matou sete
agentes da CIA quando ele partiu a bomba de 30 libras amarrada ao seu
corpo em uma base fortificada no Afeganistão, perto da fronteira
paquistanesa, em dezembro de 2009.
AP/IntelCenter (em inglês)
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No dia 30 de dezembro de
2009, ficou combinado que ele se encontraria com agentes da CIA na base Camp
Chapman no Afeganistão, onde ele passaria informações sobre o segundo em
comando da Al Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, de quem Humam Al - Balawi teria se
tornado o principal médico, os agentes e analistas estavam entusiasmados, pois
acreditavam que tinham chegado em Bin Laden, tendo em vista que foram anos sem
nenhuma pista de alguém relevante da organização. Al - Balawi ao chegar à Base
Camp Champan, adentrou o complexo sem ser revistado e estacionou seu carro. Os
agentes o viram sair do carro mancando e com comportamento suspeito, notaram
algo errado e apontaram suas armas para ele, e pedindo que mostrasse as mãos. Porém,
era tarde, ele acionou um detonador no pulso e se explodiu, matando 7 agentes, em
uma das piores tragédias da CIA. Dias depois, foi divulgado um vídeo de Al - Balawi
debochando dos agentes e informando o que ele faria. Suspeita-se que quem
planejou este ataque foi o próprio Osama Bin Laden. Depois desse momento, os
EUA voltaram à estaca zero.
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| Base atacada em Khost é usada por civis e militares americanos. Fonte Geoye |
Um momento crucial na história
foi à chegada de um novo presidente dos Estados Unidos em 2009, Barack Obama, o então presidente investiu mais
dinheiro, recursos e enviou mais tropas, principalmente tropas americanas que
estavam no Iraque, foram deslocadas para fronteira Afeganistão com Paquistão.
Inclusive, informou a CIA, especificamente ao seu diretor Leon Panneta, que a
prioridade da Agência era a caça a Bin Laden.
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| O então diretor da CIA Leon Panneta E Barack Obama. Fonte: New York Times. | |
E foi nesse momento que
presos no campo de detenção de Guantánamo, a maioria com vínculos com a Al
Qaeda, começaram a falar de um tal de “Kuwaitiano”, sem muita informação sobre
quem ele seria na época. Mas o “Kuwaitiano”
era um dos principais mensageiros da Al Qaeda. Uma breve explicação: para
evitar interceptação de sinais, Al Qaeda realizava a comunicação entre as
lideranças através de mensageiros que levavam ou transmitiam as informações
para os destinatários.
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| Base militar dos EUA em Guantánamo, Cuba (Foto: Paulo Emílio). |
Maioria dos presos não sabia o nome verdadeiro
deste mensageiro e quem sabia tratou imediatamente de protegê-lo, relatando em
interrogatórios que ele não era tão importante assim. E é neste momento que a
Inteligência do Paquistão (ISI) fornece uma lista com os principais mensageiros
da Al Qaeda. E através de uma fonte secreta, a CIA conseguiu acessar uma lista
telefônica com a esperança de que um dos números fosse o telefone do Kuwaitiano. O trabalho foi árduo; foram
meses monitorando ligações, milhares de ligações, até que um delas chamou a
atenção dos analistas. A ligação foi realizada entre um cidadão do Paquistão e
outro do Golfo Pérsico. O cidadão do Golfo Pérsico era bem ligado a Al Qaeda, e
essa conversa foi suspeita. O teor do assunto era amigável, e em um determinado
momento da conversa, ocorreu à frase chave para a inteligência americana:
"Estou trabalhando de novo para as pessoas que já tinha trabalhado
antes".
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Detidos
suspeitos de pertencer à Al Qaeda ou ao Talibã a bordo de um avião C-141
Starlifter das forças aéreas dos EUA. Este foi o primeiro voo a enviar
prisioneiros de Kandahar, no Afeganistão, para a base naval de
Guantánamo. Uma bandeira americana foi colocada nas mãos de um dos
detidos, além de uma jaqueta sobre os ombros dele, possivelmente para
protegê-lo do frio durante o voo. Fonte: JEREMY T. LOCK, USAF
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A partir dessa ligação telefônica o dono desta
frase começou a ser rastreado com a esperança do mesmo levar a CIA a uma nova
pista que poderia ter como desfecho o Bin Laden, a CIA acreditava que Bin Laden
estava escondido em uma região tribal entre o Afeganistão e o Paquistão, mas o
dono da frase estava se dirigindo para uma região Urbana do Paquistão, na
cidade de Abbotabbad, a princípio, a CIA suspeitava que estivesse seguindo o
suspeito errado, mas ao se deparar com a casa que o suspeito acessou, perceberam
coisas estranhas. A casa era enorme, parecia uma fortaleza, constituída por
três andares, com muros de aproximadamente 3 metros de altura.
Descobriu-se que o
suspeito era o “Kuwaitiano” e que ele morava nessa casa com o irmão e suas
respectivas famílias, através de operações de vigilância por drones e de
informantes/espiões em campo se descobriam algumas atitudes suspeitas, como por
exemplo, todos os lixos eram queimados, a casa apesar de ter uma excelente
estrutura localizada em bairro de classe média alta, não tinha nenhuma conexão
com a internet e nem telefone, ao seguir os mensageiros a CIA percebeu que
quando os moradores da casa precisavam realizar uma ligação telefônica eles se
deslocavam por mais de 1h30 de distância da casa para efetuar a chamada e
quando precisavam acessar a internet iam a ciber. cafés, dificilmente frequentavam
os mesmos, e após a utilização dos computadores, colocavam pen drives e tomavam
todos os cuidados para não deixar nenhuma espécie de histórico e vestígios
digitais e nenhum vestígio de suas presenças nos estabelecimentos.
Outra descoberta foi que
uma terceira família estava vivendo na casa, no terceiro andar. Os membros dessa
família raramente saíam, e um deles tinha o costume de caminhar pelo quintal da
casa, sem nunca sair do portão. Através
da imagem de um drone, a CIA identificou que era um cidadão alto, do sexo
masculino, e, por meio de informantes e contato com a vizinhança, descobriram
que esse homem morava a cinco anos na casa e nenhum dos vizinhos o havia visto
fora dela. Após obter essas informações, a CIA considerou a opção de bombardear
a casa, mas logo percebeu vários problemas: a identificação dos corpos seria difícil,
a localização da casa era em Abbottabad, Paquistão, e o governo Paquistanês
poderia interpretar o bombardeio como uma agressão. Além disso, a estrutura do
complexo exigiria muitas bombas para ser destruído, o que poderia ocasionar
danos colaterais.
Então, decidiu-se na
realização de um ataque terrestre. A equipe designada para essa operação foi
Seal Team SIX (DEVGRU), uma força de Elite da Marinha Americana, especializada
em Operações Especiais, Ações secretas e altamente experientes em Operações de
captura e de assassinato de alvos de alto valor para os EUA. Para simular e treinar
a tática operacional foi construída uma réplica em tamanho real da casa encontrada
no Paquistão, permitindo que os operadores especiais treinassem a captura. A
missão e operação de captura/eliminação de Bin Laden eram tão secretas que nem
mesmo os militares do Seal Team SIX que estavam simulando a missão sabiam quem era
o alvo, sabendo o verdadeiro alvo poucas dias antes da operação.
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| Força escolhida a dedo dos SEALs da Marinha do Esquadrão Vermelho do Naval Special Warfare Development Group (DEVGRU) |
No dia da Operação, o
presidente Barack Obama manteve sua rotina normal para não levantar suspeitas. Ele
participou de reuniões e continuou suas atividades habituais, como jogar golfe
na Casa Branca. Curiosamente, no dia da operação, as pessoas envolvidas e que
estavam na sala de situação para acompanhar a missão precisavam se alimentar,
então o governo pediu pizza de vários lugares para evitar que a quantidade de
Pizza despertasse curiosidade de movimentações na Casa Branca. Uma semana antes, com a informação já obtida
sobre a localização de Osama Bin Laden, Barack Obama participou de um evento na
Casa Branca, onde um comediante brincou e fez uma piada sobre a localização de
Osama Bin Laden, sem imaginar que os Estados Unidos estavam prestes a concluir a
maior caçada da história.
No dia 01 de maio de 2011
foi lançada a Operação Lança de Neptuno, com o objetivo de invadir a casa em Abbottabad,
onde se suspeitava que Osama Bin Laden estivesse. Vinte e quatro operadores e um cão pastor Belga manilois, chamado Cairo, das forças
especiais da Marinha Americana, Seal team Six, foram divididos em dois helicópteros
silenciosos com tecnologia que dificultava a detecção por radares. Os melhores
pilotos foram convocados para a operação. Seis operadores dos Seals vigiariam o
perímetro, seis entrariam de rapel no terceiro andar da casa e doze pousariam
no solo e invadiriam por terra. A principal ideia na organização da operação
era evitar qualquer chance de fuga das pessoas que estivessem no complexo e concluir
a operação em no máximo 30 minutos para que o exército Paquistanês não soubesse
o que estava acontecendo. Por motivos de
segurança, os Estados Unidos não informaram o Paquistão sobre a operação, temendo
que a informação vazasse e o Bin Laden fugisse.
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| Will e o Cairo. Foto da Marinha dos Estados Unidos |
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| Cairo e seu manipulador. Captura de tela do YouTube e The Reserve |
Barack Obama e outras
figuras importantes do governo acompanharam a operação da Casa Branca, e
observaram a equipe Seal Team chegar perto da casa à 00h30, no horário paquistanês.
Na chegada, devido à diferença de pressão atmosférica, um dos helicópteros de
infiltração dos soldados americanos caiu. A apreensão e a preocupação entre os que acompanhavam a
operação na Casa Branca tomaram conta de todos, o helicóptero caiu de uma
maneira abrupta, porém, em uma posição de pouso e nenhum dos militares dos SEALS se
feriu. A missão continuou, e o segundo helicóptero foi instruído para que não
pousasse no telhado, mas sim no chão, para que os operadores entrassem por
terra. Nesse momento, a ideia de uma operação surpresa e silenciosa havia sido
comprometida, o bairro e os moradores da casa foram despertados. Os operadores
dos SEALS usavam armas com silenciadores, mas estavam preocupados com a
possibilidade das armadilhas explosivas na casa que poderiam detonar por total
a casa, e de algum morador utilizar um colete explosivo em seu corpo, ou estar
armado com uma AK47 e realizar disparos contras os operadores.
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| O presidente Obama e sua equipe de segurança nacional na Sala de crise da Casa Branca. Fonte: Pete Souza |
Ao lado da casa principal,
havia uma casa de hospedes. Nesta casa, saiu um indivíduo com uma metralhadora
e começou a atirar nos operadores. Os
SEALS responderam ao fogo e eliminaram o indivíduo, e o identificaram como o “Kuwaitiano”,
o mensageiro de Bin Laden. Após essa situação, a CIA cortou a energia do
bairro, e toda a operação ocorreu no escuro. Os operadores especiais dos Seals
estavam equipados com visão noturna, diferentemente dos membros da casa. Ao
entrarem na casa principal, começaram a vasculhar a procura de esconderijos e
armadilhas explosivas. O plano era segmentar os níveis de operação da seguinte
maneira: controlar todo o primeiro andar, avançar e controlar o segundo e por
último, controlar o terceiro andar. Para evitar alertar sobre suas posições, os
Seals se comunicavam através de sinais e toques, para sinalizar as seguintes
ações: avançar, recuar, perímetro limpo.
Ao subir as escadas do
primeiro andar, perceberam que havia uma pessoa escondida ali. Pararam na escada
e, para atraí-la, os operadores americanos do Seal team, começaram a chamá-la
pelo nome. Suspeitaram que quem estava ali era um dos filhos de Bin Laden, o
Khalid. Quando apareceu no campo de visão dos operadores, Khalid foi atingido
com disparos. O próximo a aparecer foi o irmão do Kuwaitiano e este teve o
mesmo destino. Quando mulheres e crianças apareceram, foram amarradas e presas
em quartos e cômodos.
Ao continuar a busca, chegaram ao terceiro
andar e se deparam com a porta de um quarto onde estaria Osama Bin Laden. Há
varias versões sobre o primeiro contato com o Bin Laden, mas o relato mais confiável
é de Matt Bissonnette (Mark Owen) e Robert O`Neill, Seals envolvidos na operação. Segundo esses
operadores, foram realizados disparos no olho de Osama Bin Laden no momento em
que ele abriu a porta do quarto. Bin Laden caiu, e os Seals entraram no quarto,
encontrando com uma mulher e as crianças. Eles contiveram a mulher e as
crianças e realizaram vários tiros no peito do Bin Laden.
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| Há imagens de Matt Bissonnette (Mark Owen), na internet, optei por não colocar. Na foto estão presentes Mark Owen e Robert. Fonte: Desconhecida | |
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| Robert O'Neill foi revelado como o homem que matou Osama Bin Laden — Foto: Reprodução/Twitter/Robert O'Neil. Optei por colocar a imagem pois Robert realiza entrevistas, possui livros onde expõe sua identidade. Fonte: Mario Nawfal. |
A fase delicada da operação começou com a
necessidade de confirmar quem os Seals tinham matado e principalmente
identificar se realmente era Osama Bin Laden ou não. Para piorar, o disparo
deformou o rosto do alvo, se tinha a informação de que a sua barba era
grisalha, entretanto, estava preta, aparentemente tingida. Um dos operadores
perguntou à mulher no quarto quem era o homem que acabavam de matar, e ela não
dizia o nome, apenas adjetivos, como: é o Sheik, líder. Quando a mesma pergunta
foi feita para uma criança, a criança confirmou: “é Osama Bin Laden”, e então a
mulher que negou no primeiro momento, confirmou, é Osama Bin Laden.
O militar do Seal Team que executou o disparo, informou nos canais de comunicação da operação: "POR DEUS E PELA PÁTRIA - GERÔNIMO, GERÔNIMO, GERÔNIMO". Gerônimo era a palavra código para anunciar o sucesso da missão, o militar completou: "Gerônimo E.K.I.A", que significa inimigo morto em Ação (em inglês, enemy killed in action).
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| Quarto da casa onde Bin Laden morreu - Foto: Reprodução |
Na sala de situação na Casa Branca, onde membros do governo estavam acompanhando em tempo real a operação, Barack Obama teria dito: "Nós o pegamos"
Os Seals realizaram o
registro de várias imagens do corpo, coletaram diversos materiais de
inteligência, como computadores, fitas, DVDs, CDs e imagens, resultando em uma
enorme quantidade de evidências. Durante a extração (momento de saída do lugar
da operação), explodiram o helicóptero caído e destruíram seus equipamentos
tecnológicos. Dois helicópteros de resgate vieram para buscar os operadores do
SEALS. Pouco depois, o exército paquistanês chegou à casa e encontrou o helicóptero
militar americano caído e membros da família Bin Laden.
Após um exame de DNA do
corpo levado pelos americanos, foi confirmado que era compatível com amostras
de DNA de membros da família Bin Laden. Foi então que Barack Obama anunciou ao
mundo que Osama Bin Laden havia sido morto em uma operação americana. a Al
Qaeda confirmou a morte de seu líder e prometeu vingança. O governo Americano,
para evitar que o túmulo de Bin Laden se tornasse um templo para jihadistas e
terroristas, decidiu jogar o seu corpo no Mar da Arábia. Segundo fontes, tomaram
a precaução de realizar o funeral seguindo alguns preceitos da religião
Islâmica, e assim terminou a maior caçada da história.
Relatos Reais da Noite da
Missão
A missão que levou à morte
de Osama Bin Laden não ficou marcada apenas pelo seu resultado estratégico e
simbólico, mas também pelas impressões gravadas na memória daqueles que
estiveram diretamente envolvidos. Em depoimentos e livros publicados
posteriormente, alguns desses operadores narraram aspectos cruciais da operação
com clareza e, por vezes, com uma sobriedade desconcertante.
Em No Easy Day, o
pseudônimo "Mark Owen" — na realidade, Matt Bissonnette, um dos
operadores da equipe SEAL Team 6 — relatou o espírito de responsabilidade que
pairava entre os membros da força-tarefa:
"Não há honra em
enviar homens para morrer por algo pelo qual você mesmo não lutaria.” (Mark Owen, No Easy Day, 2012)
Ele também detalha um
aspecto muitas vezes negligenciado: a completa ausência de resistência por
parte de Bin Laden, revelando a hipocrisia entre o discurso e a prática do
líder da Al-Qaeda:
“Antes de sair, notei uma
prateleira acima da porta. Estava logo acima de onde ele [Bin Laden] estava
quando chegamos ao terceiro andar. Deslizei minha mão e senti duas armas, que
se revelaram ser um AK-47 e uma pistola Makarov em um coldre. Retirei cada
arma, tirei o carregador e verifiquei a câmara. Ambas estavam vazias. Ele nem
sequer preparou uma defesa. Não tinha intenção de lutar. Pediu a seus
seguidores por décadas que usassem coletes suicidas ou pilotassem aviões contra
edifícios, mas nem sequer pegou sua arma.” (Mark Owen, No Easy Day, 2012 — via Goodreads)
Outro participante da
operação, o ex-SEAL Robert O’Neill, que publicamente afirmou ter realizado os
disparos fatais contra bin Laden, revelou detalhes sobre o momento do confronto
em entrevistas e em seu livro autobiográfico. Em uma fala direta, ele descreveu
a cena que encontrou ao entrar no último andar do complexo em Abbottabad:
"A um metro e meio de
mim estava Osama Bin Laden. Eu atirei nele duas vezes, e depois mais uma vez.
(...) Havia uma criança de dois anos ali.” (Robert O’Neill, entrevista ao 9/11 Memorial Museum, 2019)
Em The Operator,
O’Neill também destacou o valor do treinamento repetitivo e da disciplina sob
pressão extrema:
"Você não precisa se
preocupar com tudo. Apenas faça como praticou um milhão de vezes e você ficará
bem.” (Robert O’Neill, The Operator, 2017)
Mas uma das passagens mais
marcantes de seu relato é, sem dúvida, a que explica por que os operadores
estavam dispostos a morrer naquela noite:
“Assim que embarcarmos
nesta missão, não veremos mais nossos filhos nem beijaremos nossas esposas.
Nunca mais comeremos outro bife ou fumaremos outro charuto. Estávamos tentando
entender por que ainda estávamos dispostos a fazer isso, mesmo sabendo que
provavelmente morreríamos. Concluímos que estávamos fazendo isso pela mãe
solteira que deixou seus filhos na escola e foi trabalhar numa manhã de
terça-feira, e uma hora depois decidiu pular de um arranha-céu porque era
melhor do que queimar viva. Uma mulher cujo último gesto de decência humana foi
segurar a saia durante a queda para que ninguém visse sua roupa íntima. É por isso
que estávamos indo. Ela só estava tentando passar por mais um dia de trabalho,
viver uma vida.” (Robert O’Neill, The Operator, 2017 — citado amplamente em entrevistas e
transcrições oficiais)
O componente aéreo da
operação também teve papel fundamental, especialmente após a queda de um dos
helicópteros stealth no pátio interno do complexo. O piloto Doug Englen,
experiente em inserções clandestinas por parte do Comando de Operações
Especiais da Força Aérea dos EUA, relembrou os instantes de tensão e o protocolo
imediato de contingência:
"Simplesmente
entramos em modo de contingência. Não sabíamos a gravidade — se havia vítimas
no acidente? Se caiu em área civil? Tudo o que fazemos é minimizar nosso tempo
e chegar lá o mais rápido possível.” (Doug Englen, entrevista ao Military Times, 2020)
Esses testemunhos não
apenas contribuem para reconstruir os bastidores da ação, como também revelam
os elementos emocionais, éticos e técnicos que compõem a realidade das
operações de contra terrorismo realizadas pelas forças de elite dos Estados
Unidos.
Imagens relacionadas a caçada/operação.
 |
| Casa em Abbottabad onde Bin Laden estava - Foto: Aamir Qureshi/AFP/Getty Images |
 |
| Foto aérea do Harvey Point Defense Testing, instalação de treinamento da
CIA na Carolina do Norte, tirada em 15 de fevereiro de 2011 (Foto: The
Atlantic) |
 |
| Presidente Obama e sua equipe de segurança nacional na Sala de Situação da Casa Branca. Foto: Pete Souza, fotógrafo oficial da Casa Branca/Wikimedia Commons |
Escrito por:
Gabriel Chagas.
Entusiasta
por Geopolítica, Espionagem, Relações Internacionais e Autor do Blog Mundo em
Conflito.
Siga - me no Instagram: https://www.instagram.com/gabriel.schagas
REFERÊNCIAS:
 |
Livro:
"A Caçada" - Mark Bowden |
 |
Livro:
"Guerras Secretas" - Gordon Thomas |
 |
Livro: " Não Há Dia Fácil" - Mark
Owen |
Vídeo: "National Geographic
- A Caçada a Bin Laden"
Reportagens:
"New York Times - Como a CIA Localizou Bin Laden
britannica.com/biography/Osama-bin-Laden
Objetivo
Bin Laden – History Channel
 |
| 'O Operador', O'Neill passa a descrever uma série das quase 400 missões
em que participou durante seu tempo com os Navy SEALs, que lhe renderam
duas Estrelas de Prata e quatro Estrelas de Bronze com Valor. |
 |
Recomendações:
Filme - A hora Mais Escura - Inspirado na real caçada a Osama Bin Laden,
livros, reportagens e documentários citados na referência. |
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